Dia Nacional do Samba

São Paulo não é ruim da cabeça nem doente do pé

Divulgação

Veja a programação de eventos e Sexta-Feira 2, Sábado, 3 e Segunda-feira, 5

Quando Vinicius de Moraes chamou São Paulo de túmulo do samba, muita gente se ressentiu. Até um de seus parceiros, o violonista Baden Powell, lembrou que era aqui que aconteciam as gravações de O Fino da Bossa, programa de televisão comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues na década de 1960, que levava o melhor da música popular brasileira para milhares de lares, mostrando os bambas do gênero daquela época, como o Zimbo Trio.

Avance para a nossa era, e a situação não é diferente. Apesar de o samba não ser o primeiro ritmo que associamos à cidade, São Paulo também tem síncope e requebra, com uma série de locais que oferecem shows. Não bastasse isso, ainda há uma nova geração da cidade que vem recriando sonoridades a partir das bases tradicionais do gênero (leia na página ao lado).

Se você não é ruim da cabeça nem doente do pé, prepare-se para celebrar o Dia Nacional do Samba, no dia 2 dezembro. Muitos pensam que a data tem relação com a gravação e lançamento da composição ‘Pelo Telefone’, de Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos) e Mauro de Almeida, considerado o primeiro samba, em dezembro de 1916. Mas não é nada disso: a história é ainda mais curiosa.

O compositor mineiro Ary Barroso compôs canções célebres que faziam referência a Salvador, como ‘Na Baixa do Sapateiro’. Mas, veja você, apesar da intimidade nas letras, ele nunca tinha pisado no Estado da Bahia, até o dia 2 de dezembro de 1940, quando finalmente visitou o lugar. Isso motivou o vereador baiano Luís Monteiro da Costa a criar o Dia do Samba, que, a partir de 1963, se tornou nacional.

A síncope faz toda a diferença nesse ritmo que levou a percussão africana a um sotaque brasileiro. Os primeiros batuques do gênero nasceram na Bahia e foram trazidos na metade do século 19 ao Rio de Janeiro, onde se desenvolveu o samba urbano como o conhecemos. Antes de se tornar a cara e o símbolo do País, o ritmo sofreu perseguições e ficou restrito a um papel marginal nos morros cariocas. O tempo diria que o papel do samba era essencial: ele floresceu e se incorporou irremediavelmente à identidade brasileira. E, apesar de a rota de criação não ter passado por São Paulo, a cidade contribui hoje com novos expoentes, como a cantora Fabiana Cozza.

Pois bem. Aproveite o Dia Nacional do Samba para homenagear o estilo da forma mais visceral: com shows ao vivo, e dançando, mesmo que não saiba sambar perfeitamente – isso sim, uma habilidade nem tão fácil de se encontrar entre paulistanos. O importante é a intenção. Reunimos locais em que o gênero é carro-chefe e outros que terão programação especial para festejar a data.

 

 


Sexta-feira, 2/12

Bar Brahma

Haverá um encontro entre diferentes gerações no Dia do Samba. Os Originais do Samba, grupo ao qual pertencia o inesquecível humorista Mussum, levam os 40 anos de sucesso para o palco por volta das 21h30. À meia-noite, Carolina Soares mescla clássicos com composições próprias. 2/12. Av. São João, 677, Centro, 11 3333-3030. Ter. a dom., 11h/último cliente; seg., 17h/último cliente. R$ 45. Mais sobre o Bar Brahma

Ó do Borogodó 

Ainda não tem programação definida para a data, mas segue a linha do samba de gafieira, sendo reduto certeiro para quem gosta de dançar. R. Horácio Lane, 21, Pinheiros, 11 3814-4087. Seg. a sex., 21h/3h; sáb., 13h/3h; dom., 19h/0h. R$ 20. Mais sobre o Ó do Borogodó

Traço de União 

Mario Sérgio, ex-integrante do grupo Fundo de Quintal, dará o tom. O sambista também é conhecido pela composição de músicas que fizeram sucesso na voz de Zeca Pagodinho, como ‘Pixote’ e ‘Mania da Gente’. 2/12. R. Claudio Soares, 73, Pinheiros, 11 3031-8065. 22h/3h. R$ 20/R$ 40.

Espaço Zé Presidente

O samba de roda tomará conta da casa com a apresentação de Tião Carvalho, que também tem no repertório ritmos com o baião e xote. 2/12. R. Cardeal Arcoverde, 1.545, Pinheiros, 11 2894-8546. 23h/5h. R$ 15. Grátis

União das Escolas de Samba de São PAULO (UESP) - Vigília do Samba 

Vigília do Samba Às 23h59 do dia 1º, será acesa uma vela, que marcará a duração do evento: o samba resistirá madrugada adentro enquanto a chama estiver acesa. As rodas de samba terão a participação da velha guarda das escolas. 2/12. Sede da UESP. R. Rui Barbosa, 738, Bela Vista, 11 2386-5988. 0h. Grátis

Festa do Samba 

Shows das escolas Amizade Zona Leste, Império de Casa Verde, Nenê de Vila Matilde e Vai-Vai. Na ocasião, também serão escolhidos a cidadã e o cidadão-samba 2012, embaixadores do ritmo, que tenham mais de 30 anos de trabalhos ligados ao Carnaval em São Paulo. 2/12. Quadra da Império de Casa Verde. Av. Engenheiro Caetano Álvares, 2.042, Casa Verde, 11 2386-5988. 21h.  

 

Sábado, 3/12

Ó do Borogodó 

Veja Sext-feira, 2/12

Centro Cultural São Paulo
Social Samba Fino Integrante da nova geração do samba paulistano, a banda não fica presa ao gênero, interagindo em suas músicas com o rock, jazz, rap e outros ritmos.
Sambanzo Sambas de origem afro e músicas folclóricas prevalecem no repertório do grupo, que também traz sambas de compositores como Ary Barroso e Dorival Caymmi. 3/12. CCSP, R. Vergueiro, 1.000, Paraíso, 11 3397-4002. 19h. Mais sobre o Centro Cultural São Paulo

 

Segunda-feira, 5/12

Samba de Vela

Criado em 2000, é aberto para todas as idades, com o objetivo de levar a cultura social e musical a quem participa. As rodas reúnem novos autores e sambistas da velha guarda. 5/12. Pça. Dr. Francisco Ferreira Lopes, 434, Santo Amaro, 11 3106-8569. Seg., 20h45. R$ 5.


 

Escrito por Fabiana Caso e Rodrigo Furlan

Serviço

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus
 

© 2011 - 2016 Time Out Group Ltd. All rights reserved. All material on this site is © Time Out.