Time Out São Paulo

O bolachão está de volta

 O disco de vinil sai do ostracismo e torna-se produto valioso

Esqueça o MP3, WAV e OGG. Deixe pra lá o MP4, WMA e AAC. E, já que estamos aqui, vamos jogar os CDs fora também. O que você quer mesmo é o bom e velho bolachão, para rodar na sua vitrola. E não estamos falando daqueles bolachões riscados e tortos que deram má fama ao vinil. Trata-se de álbuns de vinil totalmente novos e de excelente qualidade – e eles estão se proliferando.

Os discos pretos também estão de volta às baladas – alguns DJs podem dizer que nunca estiveram ausentes –em festas exclusivas de vinil, como a Shakeville SP!, no Astronete, e a Rancho Albertino, que acontece todo segundo sábado do mês no Alberta #3. O coletivo Vinil é Arte, formado pelos DJs Niggas, Formiga e Seu Juca, se apresenta em toda a cidade, tocando sua própria coleção de álbuns e pedindo para que o público leve seus discos também . Confira o site vinilarte.com.

Os novos lançamentos se impõem com seu peso – discos ao estilo dos anos 1940, grossos, sólidos e pesando 180 gramas, como nos velhos tempos. Quanto mais profunda a melodia, mais baixa é a frequência. Mas, embora o número de fãs do vinil seja cada vez maior, muita gente ainda não percebeu que ele está de volta. Na Fnac da Avenida Paulista, os vinis ficam esquecidos em um canto, perdidos entre iPads, televisores de plasma e outras tecnologias. "Não temos quase nenhum", diz o vendedor. "Só AC/DC e coisas do tipo." Como prova disso, a loja tem um aparelho de som retrô, que também toca fita cassete e CD, chamado "Nostalgia".

Direto ao ponto
Deixa pra lá. Para aparelhos realmente legais, basta ir à Catodi, loja especializada que fica na Santa Ifigênia, 398 (11 3221 3945/casadostocadiscos.com.br). Ali, você encontrará de tudo, desde o puro luxo de uma VPI HR-X  com design de Harry Weisfeld, por espantosos R$ 72 mil, até a mais modesta Gemini TT-1000, vendida a R$ 799.

Também há boas opções na Livraria Cultura da Paulista, que possui uma prateleira modesta de discos novos e antigos, como a recém-lançada edição limitada do LP duplo In The Studio With Martin Hannett: Joy Division, por R$ 199,90, ou lançamentos brasileiros, como Roberta Campos, a um preço mais modesto (R$ 83). Não é barato: 66% de cada disco vendido vai para o governo, em impostos.

"Se você olhar as costas de qualquer LP brasileiro antigo, lerá a frase 'disco é cultura'. Como arte, deveria ter isenção de impostos – o custo é muito alto", diz Luiz Calanca, dono de um verdadeiro tesouro de vinil, a Baratos Afins, na Galeria do Rock. É aqui no Centro (ver boxe) que os verdadeiros fanáticos por vinil são vistos garimpando as prateleiras.

Vestindo uma camiseta do Lez Zeppelin ("Isso mesmo, elas são lésbicas que tocam Zeppelin"), Calanca explica como abriu a loja, em 1978: "Eu era químico. Já tinha tido experiência com drogas, então foi fácil mudar de carreira. Trinta anos depois, vejo que não sabia nada sobre música: você aprende com os clientes."

Ele lançou 104 LPs com seu selo, sendo que o primeiro foi de Arnaldo Batista, de Os Mutantes. "Hoje ele é cult, mas, na época, não vendi nenhum disco dele." Calanca acredita ter acumulado mais de 100 mil títulos em vinil. "Tenho discos que estão aqui desde que abri a loja", brinca, enquanto os clientes entram e saem. ("Quanto?" "R$ 60, mas este é raro, cara!). Um cliente vindo de Natal, com uma lista de compras, conta que simplesmente adora "as capas, as contra-capas, os folhetos, a arte."

O ostracismo do vinil nas últimas duas décadas acabou tornando esse tipo de produto mais valioso e mais procurado – mas há boas notícias para os fãs dos LPs de vinil. A única fábrica de discos da América Latina, a Polysom, no Rio, produzia LPs para igrejas evangélicas até fechar as portas, em 2007. Apenas dois anos, ela renasceu graças à nova demanda por bolachões e, atualmente, fabrica novos lançamentos de Pitty, Cachorro Grande e Fernanda Takai.

A Polysom também está relançando clássicos – este mês, é a vez de Correio da Estação do Bras, de Tom Zé, e Afrociberdelia, de Chico Science e Nação Zumbi. Em 2009, a Sony também relançou álbuns clássicos em vinil, em uma série chamada Meu Primeiro Disco.

Baratos Afins 
Basta dizer:  Galeria do Rock, Avenida São João, 439, 2º andar, lojas 316-318, Centro (11 3223 3629/
baratosafins.com.br). seg - sex, 10h-19h; sáb, 10h-15h.

Galeria Nova Barão 
São dez lojas de disco – está bom ou quer mais? Barão de Itapetininga, 37 e Rua Sete de Abril, 154, Centro. seg - sex, 10h-20h; sáb, 9h-13h.

Livraria Cultura 
Suba ao segundo andar e babe. Conjunto Nacional, Avenida Paulista, 2.073, Consolação (11 3170 4033/
livrariacultura.com.br). seg - sáb, 9h-22h; dom, 12h-20h.

Sebos 
São centenas de sebos espalhados pela cidade, verdadeiros paraísos que sempre vale dar uma passada. Confira
sebosonline.com para a lista completa.

Eric Discos
A loja do inglês Eric Crouford tem 30 anos de existência. Rua Artur de Azevedo, 1.813, Pinheiros (11 3081 8252). Aberto 2ª a sábado, 10h-19h.

Trezeta Musik 
Novos lançamentos e discos importados de dub, reggae, funk, afrobeat. Galeria América, Rua Augusta, 2.203, Loja 07, Centro (11 3081 2270). seg - sex, 10h-19h; sáb, 10h-17h.

Embaixada 
Especializada em dance, house, eletrônica, rap e hip hop. Rua 24 de Maio, 116, Loja 11, Centro (11 3223 1675). seg - sex, 11h-19h; sáb, 11h-17h.

Escrito por Time Out São Paulo editors
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