Time Out São Paulo

Perry Farrell

O idealizador do Lollapalooza e cantor do Jane’s Addiction falou com a Time Out São Paulo sobre festivais, filhos e música

Time Out São Paulo - Por que trazer o Lollapalooza para São Paulo?
Perry Farrell - Soube que havia empresários interessados em trazer o festival para cá e, quando vim ver a locação no Jockey Club, achei tudo parecido com a área do festival em Chicago, que também é cercada pelo horizonte urbano. À noite, a cidade forma a própria instalação de luzes. A vista é incrível. Aqui em São Paulo, poderemos ir a bares e clubes depois dos shows, onde a dança e a música vão continuar e será como uma festa de 24 horas, yeah!

TOSP - Além de idealizar o Lollapalooza, você é o único artista que se apresentou em todas as edições do festival de Coachella. O que o atrai nos festivais?
PF - Eu comecei minha carreira como músico no começo dos anos 1980. Naquela época, nos divertíamos assistindo a bandas independentes tocarem ao vivo. Agora, vamos mais a clubes que têm DJs e menos a locais que têm música ao vivo. Mas as pessoas ainda guardam dinheiro para ir aos festivais para ver os grupos, mesmo porque o dinheiro é muito mais valorizado, pagando-se três vezes menos do que para ver os artistas em shows individuais.

TOSP - Os festivais ainda são transformadores? Sobrou algo do espírito de comunidade dos velhos dias?
PF - Lá você encontra os seus pares, a sua geração. E vê como eles se vestem, se comportam, o que eles pensam, há os flertes… É um tipo de comunidade. Em Chicago, os três dias de festival transformam completamente a cidade. E no palco, quando você está conectado com a energia de 60 mil pessoas, se sente mais poderoso, é como se passasse uma corrente elétrica pelo seu corpo. É uma experiência mágica.

TOSP - Aos 52 anos, você está em plena forma. O surfe ainda é uma de suas fontes de energia?
PF -
Sim, eu me recarrego no mar e com o surfe. Provavelmente, quando fizermos o festival aqui eu vou tirar uns dias para voltar para Maresias. Estive lá com surfistas profissionais na minha primeira viagem ao Brasil.

TOSP - Você é casado, tem dois filhos e fala muito sobre a vida familiar em sua página no Facebook. Há alguma contradição com a faceta de rock star?
PF -
Tenho outras responsabilidades. Levo meus filhos à escola e tenho que garantir que eles comam bem, escovem os dentes, sabe? Então, não fico mais tão chapado, só na medida certa. Mas penso que para um homem é um bom desenvolvimento passar de um estado mais despreocupado para uma situação de mais responsabilidades. Ter uma família é um passo a mais. Uma das coisas que mais aprecio na vida é ser pai, um bom pai.

TOSP - Você já doou dinheiro para a libertação de escravos sudaneses. Está envolvido em questões sociais no momento?
PF -
Minha mulher Etty e eu fazemos algumas ações pessoais de caridade. Mas eu me sinto servindo melhor quando trago música para as cidades e devolvo parte do dinheiro arrecadado para a própria comunidade. Fizemos isso em Chicago, onde trabalhamos com os parques e com a revitalização, plantando árvores e reformando elementos da arquitetura clássica. Também desenvolvemos programas para crianças, com acampamentos e ensino de música, dança e teatro. Gostaríamos de fazer isso em São Paulo também.

TOSP - Voltando para a música, o Jane’s Addiction lançou há pouco o novo álbum The Great Escape Artist, depois de oito anos. Como você o definiria?
PF -
Eu amo o disco novo porque ele combina elementos antigos e modernos da música. ‘Sinto-me servindo melhor quando trago música para as cidades e devolvo parte
do dinheiro arrecadado para a comunidade’. As vozes, cordas e bateria estão lá, mas isso é complementado pela eletrônica, com novas frequências.

TOSP - Você foi um dos pioneiros no uso de efeitos nos vocais, como o flanger, delay, que potencializavam os agudos.
PF -
Sim. Não sei por que as pessoas não costumam se lembrar muito disso. Eu costumava fazer loops com a minha voz, não há muitos cantores que fazem isso. O guitarrista do TV on the Radio agora usa essas técnicas, mas mesmo para os guitarristas é difícil fazer isso ao vivo. E eu uso esses efeitos na voz desde o começo da minha carreira.

TOSP - Além do Jane’s Addiction, em que outros projetos musicais está envolvido?
PF -
Tenho um duo com Etty, o Perryetty, que é de house, mas misturamos os gêneros: colocamos um pouco de dub, techno e electro. E também fazemos lives, cantando e dançando, em vez de só tocarmos como DJs.


O Lollapalooza acontece nos dias 7 e 8 de abril, no Jockey Club de São Paulo. Perry Farrell se apresenta com o Jane’s Addiction e com o duo Perryetty, em duelo musical com o DJ Chris Cox.
 

Escrito por Fabiana Caso
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