Time Out São Paulo

A nova encarnação do soul

Cantor e multiartista Mayer Hawthorne mostra o seu sweet soul no Cine Joia

Difícil não cair na tentação de imaginar que Mayer Hawthorne  – que toca nesta terça-feira, 2, no Cine Joia –, não tenha nascido como todos vieram ao mundo, e sim vestindo um elegante terno com colete – e talvez cantando doo-wop –, tamanho seu senso de estilo pessoal e seu jeito suave e charmoso de cantar. Nascido Andrew Mayer Cohen em Michigan (e supostamente pelado), o cantor admite, com alegria, que sempre se vestiu bem, mesmo tendo tido incontáveis trabalhos esquisitos. “Até na escola eu garantia que mantivéssemos a classe.”

De fato, quando Hawthorne e sua banda entram nos bastidores antes de se apresentar no programa televisivo Late Show with David Letterman, o cantor está de terno vermelho, tênis vermelho e preto, óculos Wayfarer brancos e gravata preta. Sua banda está combinando, com suéteres vermelhos adornados de cotoveleiras pretas nas mangas.

Com o segundo álbum brilhante, How Do You Do?, lançado por um grande selo (Universal), Hawthorne ocupa a invejável posição de fazer algo único atualmente. Não é que sua música seja especialmente esquisita ou de vanguarda; longe disso. Ele usa uma elegante mistura dos estilos do soul clássico com levadas impactantes. Mas essa mescla é muito própria dele. “Cresci nos anos 1980 e 90 ouvindo Public Enemy e Mobb Deep e Smashing Pumpkins”, diz. “Nem sei como era nos anos 1960, eu não estava vivo ainda. O som de Mayer Hawthorne mistura o que aprendi com os clássicos e minha experiência como produtor e DJ de hip hop e nas bandas de punk rock em que toquei quando era moleque.”

Um bom indicativo do tamanho do apelo do cantor é o teaser postado no YouTube antes do lançamento do álbum, com a participação de fãs famosos se passando por Hawthorne: Bruno Mars, Erykah Badu, Snoop Dogg, Deepak Chopra (médico indiano conhecido por seus escritos sobre espiritualidade)... Espere aí, Deepak Chopra? “Deepak é fã de Mayer Hawthorne desde o início – desde o comecinho!”, diz Hawthorne, rindo. “Que cara legal.” Ele cita uma frase de Chopra sobre andar com “pessoas que não pensam em dentro ou fora da caixa, mas que acreditam que não há caixa. Que jeito de resumir as coisas.”

A Time Out falou pela primeira vez com Hawthorne há uns dois anos, quando o cantor estava na turnê de seu disco de estreia, A Strange Arrangement, que na verdade começou como um punhado de demos nas quais ele tocava todos os instrumentos. Elas chamaram a atenção do chefão do selo Stones Throw Records, Peanut Butter Wolf. Muita coisa aconteceu desde que ele lançou seu primeiro compacto, um single em vinil vermelho com formato de coração (com o hit em falsete ‘Just Ain’t Gonna Work Out’ e ‘When I said Goodbye’). Inclusive, ele visitou o Brasil no ano passado, com Amy Winehouse. “Ela foi fabulosa, naquela situação eu realmente achei que ela estava nos trilhos e tomando jeito. Ela era simplesmente cativante.”

Dá para perceber que Hawthorne é um músico resistente. Para começar, ele é de Detroit (“Acho que as pessoas de Detroit estão entre as mais resilientes do mundo”), e é muito focado em se divertir. Ele comenta a culinária do Brasil, onde ele e sua banda se empanturraram de coraçãozinho de frango: “ainda me soa um tanto nojento, mas foi uma das melhores coisas que já comi na vida”. Também é visível que o charme de Hawthorne atinge as mulheres. A primeira faixa do novo álbum, Get to Know You, é um convite atrevido direcionado a uma namorada tímida. “É a perspectiva masculina, sem dúvida”, diz. “Compus essa música em algum lugar da Europa, tipo o aeroporto de Bruxelas, e é provável que eu tenha encontrado uma ‘coisa’ linda na noite anterior. É o tipo de situação com a qual você se depara quando é um músico em turnê, que está sempre em movimento.”

Então ele arrasa corações, é isso? “Tive muita sorte de ter tido alguns relacionamentos ao longo dos anos e tirar experiências deles”, diz. “Mas eu diria que geralmente não sou eu quem arrasa corações [risos]. Talvez escrever essas músicas seja o meu jeito de me vingar, de ser o arrasador de corações em meu mundinho de fantasia.”

Escrito por Sophie Harris
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