Roberta Sá

O novo álbum leva a um passeio por diferentes vertentes da MPB 

Gui Paganini/ Divulgação

No cenário atual dentre tantas novas cantoras, Roberta Sá se destaca pela consistência de seu trabalho – já são dez anos de estrada musical, e ela foi eleita a melhor cantora de MPB no último Prêmio da Música Brasileira.

Os motivos estão expostos nesse quinto álbum: sua voz desliza segura através de 12 faixas que levam a diferentes veredas da música popular brasileira. Ela visita o samba (‘O Nego e Eu’, de João Cavalcanti), o frevo que remete aos trios elétricos de Carnaval (‘Deixa Sangrar’, de Caetano Veloso), a dinâmica balada que acelera e vira mistura, com
direito a orquestra com muitos sopros (‘Lua’, de Pedro Luís e Mário Sève, com participação de sua banda A Parede).

Um dos bons momentos é a interpretação do maxixe de Moreno Veloso, Quito Ribeiro e Domenico Lancellotti, ‘A Brincadeira’, com direito a uma flauta que reforça o clima lúdico. Enquanto a melodia de alto potencial radiofônico ‘Altos e Baixos’ domina o ouvinte pelo pop. Já na manhosa faixa-título, a voz marca cada sílaba, pintando o frio de São Paulo, o amor, a sensualidade, o ninho e a tal segunda pele.

Roberta ataca ainda de compositora em ‘No Bolso’, uma parceria com Pedro Luís que é animada por um tempero latino, com metais. Além da interpretação de Roberta, o que confere unidade ao disco são os arranjos orquestrais, de bom gosto, presentes ao longo de todo o trabalho. O diretor musical Rodrigo Campello assinou a maioria das faixas. 

O problema é que, apesar disso e dos estilos variados, no final há uma sede por mais dinâmica. O excesso de produção às vezes deixa esse gosto. 

Escrito por Fabiana Caso
 

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus
 

© 2011 - 2016 Time Out Group Ltd. All rights reserved. All material on this site is © Time Out.