Time Out São Paulo

The Horrors

 Em entrevista à Time Out , o baixista Rhys Webb diz estar farto dos que pensam mais no visual que no som da banda

Faz apenas cinco anos desde que o grupo britânico de punk-rock experimental The Horrors fez a sua estreia. Mas o que começou como algo despretencioso – um grupo de cinco amigos fazendo música – resultou em três álbuns sólidos, um estúdio próprio e seguidores peculiares, para não dizer temperamentais (um ‘fã’ uma vez puxou o vocalista Faris Badwan do palco e começou a socá-lo).

O baixista Rhys Webb concedeu uma entrevista por telefone da Austrália, onde a banda apresentava em shows a mesma sinceridade autodepreciativa mostrada em seus três álbuns – Strange House, Primary Colours e Skying, de 2011. Ele é rápido em expor a filosofia do grupo: “Nunca tentamos impressionar ninguém”, diz. “Nem mesmo nos preparamos para gravar um álbum. Desde o início, sabíamos que havia algo maravilhoso em tocarmos juntos. Mesmo que fizéssemos uma música punk bem primitiva.”

The Horrors se apresenta com Franz Ferdinand e We Have Band no 16º Cultura Inglesa Festival. Saiba mais aqui

Essa dureza moral de Webb tem um motivo. Atualmente, os Horrors são reconhecidos como pioneiros na revitalização do empoeirado movimento punk. “Nos últimos dois anos, houve um boom do punk, música experimental, muitas meninas nas bandas, coisas eletrônicas”, reconhece.

Mas, cinco anos atrás, uma história diferente estava sendo contada. Os Horrors e seus olhos pintados de rímeis e lápis pretos despontaram brilhantes nas páginas das revistas – e a imprensa os descrevia como “rejeitamos o mainstream, rejeitamos o conformismo”. Então, os olheiros do mundo da música não tiveram escrúpulos em rotulá-los como uma banda que tem “mais estilo que conteúdo”. Só agora as pessoas estão finalmente indo além da estética Família Addams.

Olhando para o passado, Webb é um pouco reservado em relação a como eles lidaram com a imagem no início. “Uma coisa de que me arrependo daquela época são algumas fotos. Sempre que alguém ia nos ver ao vivo – gostando ou não da gente –, via que dávamos tudo na nossa música. Mas, quando você tem alguém fazendo sua maquiagem e você está em um estúdio, é diferente. Olho essas fotos hoje e as odeio”, diz, revelando uma inquietação cuidadosamente escondida em relação à imprensa que os envolveu cinco anos atrás. “Éramos ingênuos. Não é à toa que as pessoas pensavam que éramos um bando de tontos.”

Ainda assim, meia década depois, a imagem dos Horrors criada no início perdura como algo que eles não podem mudar. Webb tem opiniões fortes sobre esses estereótipos e sobre os críticos que implicam com a imagem e o som deles. “As pessoas ainda falam nisso. Temos ótimas críticas, mas todas começam com ‘eles eram assim, eles tocavam assado’. Quando é que vão esquecer isso e seguir em frente?”

Talvez algo que crie ainda mais especulação hoje seja a metamorfose no som do grupo. Para o álbum Skying, a banda decidiu apostar em uma produção própria, feita dentro de seu diminuto estúdio em Devon. “É um espaço industrial recheado, do chão ao teto, de sintetizadores, baterias, guitarras e tudo de que podemos precisar. É nossa base – não só nosso estúdio, mas nossa oficina criativa.”

Desde o lançamento, no ano passado, Skying recebeu elogios maliciosos enaltecendo a “maturidade” da banda, apesar de, como ressalta Webb, o primeiro e o segundo álbuns também terem tido ótimas críticas. Ainda assim, o disco de estreia, Strange House, é uma experiência sonora diferente de Skying. O primeiro é uma explosão fantasmagórica e estremecedora de riffs de guitarra e sintetizadores barulhentos, envoltos por vocais meio gritados. Já o último provoca uma sensação esquisita de transcendência, como se tivesse sido feito para erguer o ouvinte lentamente rumo a uma zona desconhecida. Nenhum dos dois foi feito para escurecer o espírito, embora os Horrors estejam cientes da natureza evocativa de sua sonoridade. “Não queremos fazer uma música descartável ou mesmo pop, então é importante que haja um sentimento ali. Isso vem de nós como indivíduos. Mas, a qualquer momento, há um tipo de peso substancial ou qualidade emocional na música que podem ser percebidos como sombrios devido à sua integridade.”

Com jargões como “integridade”, não é de se surpreender que os Horrors não estejam dispostos a minimizar as críticas. “Para nós, não é possível dizer ‘ah, merda, este disco foi muito bem, precisaremos fazer algo parecido’. A questão é sempre nos satisfazer e fazer os sons que queremos ouvir.”

The Horrors 16º Cultura Inglesa Festival. Pq. da Independência, 27/5. Grátis. festival.culturainglesasp.com.br

Escrito por Ysabelle Cheung
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