Coordenadas

Agitada e ponto de encontro desde os 1960, a Rua Augusta tem vocação para o rock há décadas

Fabiana Caso

O latim traz boas pistas. O significado de Augusta é ‘majestosa’ e, ao longo das décadas, a rua paulistana que muda de personalidade depois de cruzar a Avenida Paulista nunca foi menos do que isso.

O lado do Centro, conhecido como Baixo Augusta, hoje é marcado pelas pegadas de tênis Converse preto, jaquetas de couro e piercings. Amantes de música e festa se acotovelam pelas calçadas, bares e clubes que estouram em cada quarteirão – diga-se, o negócio da balada nocauteou o da prostituição que dominou esse trecho por décadas. Do lado dos Jardins, a rua vira a casaca e se transforma em múltiplas vitrines.

Mas não é de hoje que o rock (e a música) dão o tom a essa via emblemática. Nos anos 1960, ela era ponto de encontro dos jovens que desfilavam por lá os seus carrões turbinados. Tanto que o maestro e pianista mineiro de nome francês, Hervé Cordovil, compôs o twist ‘Rua Augusta’, hit em 1964 na voz de seu filho Ronnie Cord. A letra à la Juventude Transviada gerou identificação imediata dos rockers: era uma das primeiras composições genuinamente brasileiras do estilo, depois de tantas versões.

Os Mutantes gravaram a canção em 1972, entoada por Rita Lee em voz histriônica. “Eu subia a Rua Augusta num Corvette conversível, prateado e com rodas de magnésio”, lembra Arnaldo Baptista. “Era moda ser playboy naquela época. O Antonio Peticov, que trabalhava lá fazendo roupas em couro, me vendeu a calça que uso na capa do álbum Lóki”. Três anos depois, a música ganhou nova versão de Raul Seixas.

Mais recentemente, em 2010, o rapper Emicida compôs uma faixa em homenagem à Augusta, mas isso é outra história. 

Escrito por Fabiana Caso
 

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