Entrevista: Snow Patrol

Às vésperas de seu segundo show na cidade, o Snow Patrol conversa conosco sobre a evolução da carreira e, hum, como ser uma banda mais sexy

Divulgação

Vocês estavam fora há três anos. Por que tanto tempo?
Gary Lightbody (vocalista e guitarrista) Tive um bloqueio criativo. Não importava o que tentasse, não vinha nada. Temi que fosse o fim do jogo.
Nathan Connolly (guitarrista) Foi um período difícil. Houve reinícios falsos, sessões abandonadas, muita frustração.

E o que mudou?
Lightbody – Parei de ficar obcecado por minha vida amorosa e comecei a escrever sobre outras coisas – minha educação, minha família, amigos e o mundo em geral. É claro que o amor, ou a ausência dele, é a inspiração mais poderosa em qualquer tipo de arte, e é difícil recalibrar seu cérebro para escrever sobre qualquer outra coisa. Eu não tinha outra opção. Não tenho um relacionamento há uns bons anos e acho que posso ter analisado aquele em excesso. Então chegou o momento de ir para outras partes de minha vida.

Musicalmente, as coisas também mudaram.    
Lightbody –
Muita gente chamou esse disco de eletrônico, mas sempre tivemos um fundo eletrônico em nossas músicas – apenas o trouxemos para frente. Nele, fizemos o que estávamos tentando na última década. Acredito nesse disco mais do que em qualquer outra coisa que fiz na vida e não poderia estar mais orgulhoso. Ele segue por caminhos que nunca tínhamos explorado antes. Pode-se dizer que é um pouco sexy – e, meu deus, o Snow Patrol nunca foi acusado de ser sensual antes.

Quais os planos enquanto estiverem em Nova York?
Lightbody –
Temos uma pequena participação em um bar chamado Houndstooth, que frequentamos bastante e onde sempre fazemos uma baguncinha. Trabalhei em bares durante anos – sou um daqueles chatos que vão para trás do balcão e começam a tentar ensinar as pessoas a encher uma caneca de Guinness da forma correta. Tenho certeza de que, seja qual for o lucro que tiramos daquele lugar, gastamos tudo em várias noitadas. Isso que se chama de reinvestimento.

Vocês estão tocando em estádios nesta turnê. Gary, para um cara que admite ser um pouco tímido, como lidar com tanta gente todas as noites?
Lightbody –
Acho que a brincadeira fica um pouco mais difícil em estádios. Adoro uma boa conversa com a plateia, mas, quando se trata de um grande estádio, é mais difícil falar com ela em tom de conversa – parece que estou gritando com as pessoas, e gritar realmente não ajuda em uma boa história. Senão, muita criança teria momentos bem assustadores na hora de ir para a cama.

Nem tudo sempre correu tão bem. Antes de 2003, vocês tocavam para públicos pequenos. Quais são suas lembranças da época?
Connolly –
Lembro-me de tocar para cerca de 14 pessoas em uma casa de strip péssima na Inglaterra. Eles tiveram de tirar os postes para que montássemos os equipamentos.
Lightbody – Foram dez anos de lágrimas. Nunca foi o caso de desistir, mas era difícil. Ninguém queria encostar na gente. Acho que não pegava bem contratar uma banda que tinha ‘falhado’.

Parece outra vida, agora que são autênticos astros do rock?
Lightbody –
Tudo acontece em uma escala maior, os shows têm grande produção, temos que pensar sobre luzes e cenários, o que não acontecia quando tocávamos para 14 pessoas.

Isso soa tão depressivo quanto um emprego de verdade. Não estrague a fantasia para nós.
Lightbody –
Às vezes, parece um emprego, mas, na maior parte do tempo, é como um monte de amigos e irmãos correndo juntos, meio tontos, fazendo uns aos outros rirem. Não que dê para perceber nas fotos. Em cada sessão que fazemos, rimos o tempo todo, mas essas fotos nunca são usadas – apenas as que aparecemos sérios. E nossas expressões sérias geralmente parecem circunspectas – como se quiséssemos matar alguém. Para que fique registrado: não queremos matar ninguém, só não estamos acostumados a ser sérios.

E se tudo acabasse amanhã?
Lightbody –
 Tentaria ter o seu trabalho. Tudo o que eu queria era escrever sobre música – é por isso que me formei em Letras –, mas acabei entrando em uma banda por acidente, e tudo deu terrivelmente certo a partir daí.

Leia sobre o show aqui. 

Escrito por Marcus Webb
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