Time Out São Paulo

Entrevista: Mat Osman

Falamos com o baixista do Suede por telefone enquanto ele se preparava para o show no festival Planeta Terra 

Vocês acabam de tocar na Cidade do México, no festival Corona Capital (coronacapital.com.mx). Como foi?

Foi fantástico. É sempre estranho chegar a um lugar onde você nunca tocou antes, porque você não tem ideia do que vinha sendo gestado nos últimos 20 anos – você não tem ideia de que tipo de pessoas irão, se elas conhecem as músicas, se elas verão você como alguém nostálgico ou como uma banda nova. Mas foi demais – foi muito alto, com muita cantoria, muita dança. Parecia um primeiro show. O público era jovem, provavelmente o mais jovem para quem já tocamos. Tentamos deliberadamente manter os shows tão simples e improvisados como se eles tivessem sido feitos em 1992 – quando começamos a tocar de novo, nós não queríamos fazer algo que você só senta e observa, tipo “eu nunca os vi ao vivo e agora estou vendo”. Então não há orquestra ou samplers, nem faixa gravada, nada parecido. Somos só nos cinco em uma sala, e em cima do palco também nos mantemos muito próximos, espremidos.

Você já esteve em São Paulo antes?

Não, mas o engraçado é que, vivendo em Londres, eu conheço um monte de gente de São Paulo - parece haver uma conexão de verdade entre as duas cidades. Cada brasileiro em Londres, e existem vários deles, parece vir de São Paulo. Eu estou bem empolgado em conhecer a cidade, porque eu só ouvi coisas boas sobre ela.

Quem são os paulistanos que você conhece em Londres?

Conheço um monte de grafiteiros, designers gráficos e escritores que vieram daí – parece que a cidade produz uma coleção de pessoas muito criativas. Até mesmo meu cabeleireiro é de São Paulo! Eu não conheço ninguém do Rio, por exemplo – talvez porque o Rio seja tão bonito que as pessoas nunca saiam de lá. Toda vez que eu conheço alguém de São Paulo, eu digo: “Que diabos você está fazendo aqui em Londres?” Mas eles sempre dizem que vieram pelo trabalho. O que acontece com Londres é que você pode ser um designer gráfico, você pode ser um pintor, você pode ser um escritor - você pode se realizar. Eu não sei, tem tantas coisas na vida que você faz porque é onde você nasceu, ou porque é o que seus pais queriam que você fosse, ou o que você aprendeu na escola. Eu adoro a ideia de grandes cidades como Londres ou São Paulo sendo feitas de pessoas que não são de lá – um monte de gente escapando para a cidade para fazer exatamente o que eles querem.

Você vai conseguir um tempo livre em São Paulo, ou vem somente para o show?

Nós não temos muito tempo, porque estaremos vindo do Chile e de lá seguimos direto para Buenos Aires. Temos um programa de televisão para fazer [‘Altas Horas’ tvg.globo.com] e o bate-papo com vocês e os fãs [a Time Out São Paulo vai mediar a sessão de perguntas e respostas no pub Queen’s Head]. Sempre nos perguntam “o que vocês viram da cidade?”, e acabo dizendo, “não muito, porque passei a maior parte do tempo no telefone”. É uma pena, mas tenho certeza que sairemos na noite depois do show – este é o momento onde normalmente todos relaxam um pouco. Eu definitivamente quero ver algo da arquitetura: amo o estilo modernista brutalista. A ideia que tem algo assim nesse país quente latino é realmente intrigante.

Existe algo que você procura em uma cidade nova? Algo que faz dela uma cidade excelente?

Minha coisa favorita, na verdade, é me perder pela cidade. As cidades que eu mais amo no mundo são aquelas onde você não tem de fazer nada. São poucas as cidades onde eu posso vaguear bem feliz pelas ruas, apenas curtindo a energia do lugar – isso é o suficiente para mim. Apenas colocando seu fone de ouvido e caminhando em Tóquio, pegando o metrô, eu amo ir para debaixo da terra, em qualquer lugar que eu vá. Ou eu posso caminhar bem feliz de uma ponta a outra de Paris, não fazendo muito mais do que parar para beber um café e ser bem feliz.

Você foi editor do le cool (lecool.com) [uma newsletter londrina sobre cultura e entretenimento]. Ainda está fazendo isso?

Sim, eu ainda faço. Mas para ser honesto, outras pessoas fazem 99% do trabalho agora. Eu estava bem envolvido quando o Suede estava parado, mas é um trabalho de tempo integral.

Você chegou a entrevistar alguma estrela pop para o le cool?

Não, eu fiz questão de criar a regra de que eu não escreveria nada sobre música. Eu acho impossível fazer isso – você sabe, se é ruim então eu não quero escrever sobre, e se é bom, eu não quero dissecá-lo. Então não há nada sobre o que escrever. Também acho complicado porque você conhece um monte de pessoas envolvidas. Escrever sobre pessoas nas quais você vai esbarrar em festivais não é uma grande ideia.

Eu li que você disse que quando o le cool começou você pensou que ele poderia ser tão grande quanto a Time Out, mas que acabou sendo menor, muito mais íntimo.

Eu leio muito a Time Out London – é impossível ser um londrino e não ser leitor. Pode ser difícil escrever sobre lugares e coisas de Londres que a Time Out ainda não tenha coberto. O outro lado disso é meio monolítico: tentar ser universal e cobrir tudo. A ideia do le cool era fazer algo mais preciso: é sobre achar aquelas esquisitices que fazem uma cidade ser o que ela é. Mas, você sabe, só é possível fazer isso quando já existe uma Time Out cobrindo o mainstream incrivelmente bem. Mas acho que vai ser fascinante ver o que acontecerá daqui para frente sendo grátis (a Time Out London se tornou gratuita em setembro). É difícil fazer as pessoas pagarem por algo uma vez que elas se acostumaram a não pagar por isso. Para mim, estando na música e no jornalismo ao mesmo tempo, eu estou nos dois mercados onde a internet fez isso – você sabe, há esta geração de pessoas que não fazem ideia do que seja pagar por essas coisas. 


  • Leia mais aqui sobre o Planeta Terra
  • Indique um passeio em São Paulo para o Suede em nosso Facebook e concorra a um ingresso para o festival, além de participar de uma sessão de perguntas e respostas com a banda. O prazo para enviar sua sugestão é até as 16h do dia 18/10.

Escrito por Claire Rigby
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