Herbie Hancock: entrevista

 O lendário músico fala sobre jazz, assumir riscos e trabalhar para a ONU

Douglas Kirkland
O pianista Herbie Hancock
O pianista Herbie Hancock se apresenta em São Paulo no Credicard Hall

Um show de Herbie Hancock não é só um agrado aos ouvidos dos fãs de jazz. É a oportunidade de ver um ícone da música em ação. Hoje com 73 anos, o pianista e compositor de Chicago começou a traçar sua trajetória lendária ao integrar o quinteto de Miles Davis nos anos 1960. A partir da década seguinte, em carreira solo, ele elevou seu som a um patamar mais popular e apresentou-se para multidões, ganhou 12 Grammys e um Oscar. Desde então, é referência para os novos artistas. Herbie, que sobe em palco paulistano este mês, falou à Time Out São Paulo.

Como definiria o jazz de hoje?
Bem, o jazz foi definido de muitas formas. Uma coisa que fica na minha cabeça é que significa liberdade e abertura. É uma música que, embora tenha se desenvolvido a partir da cultura afro-americana, fala mais sobre a experiência humana do que sobre a de um povo específico. Tem a capacidade de pegar a pior das circunstâncias e transformá-la em algo belo e criativo.

Você toca há mais de 50 anos, então deve saber melhor do que ninguém: houve mesmo a “boa e velha era do jazz” lá atrás?
Para mim, foi uma época ótima – eu tinha 20 e poucos anos. A maioria das pessoas se refere aos 20 e poucos como sendo um período de destaque na vida. É quando você geralmente desenvolve seu jeito, seu som, sua identidade, e isso aconteceu comigo. E eu tinha um grande professor – Miles Davis. Mas agora é um momento ótimo também. Poderia apontar boas experiências em cada uma das cinco décadas nas quais toquei; muitas delas foram transformadoras.

Você assumiu riscos em sua carreira. É preciso se arriscar para ter sucesso?
Sim. Assumir riscos é uma grande aventura. E a vida deveria ser cheia de aventuras. Se você quiser que tudo seja só legal e agradável, será bem chato – não é esse o tipo de vida que quero levar. Como aprenderá a ter coragem se não se colocar em apuros? É isso que faz as coisas serem empolgantes, quando você faz coisas nas quais acredita, mesmo que ninguém mais acredite. Dê um jeito de fazer dar certo – é assim que você se torna um vencedor.

Você é embaixador da boa vontade pela Unesco – como a música pode ter impacto na missão pela paz mundial?
Uma das funções da música é o entretenimento, mas não pode ser a única. Ela também afeta o coração e estimula e cura as pessoas. Há provas isso. E ser um embaixador, felizmente, não requer que eu limite essa posição à música. Também quero participar de simpósios sobre como muitas vezes demonizamos culturas e ideias diferentes das nossas, e é isso que pode causar problemas. Tudo que eu possa fazer para elevar o conceito de cidadão global é o objetivo que tenho como embaixador da Unesco.

Escrito por Roseanne Hanley
 

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