Daughn Gibson - Me Moan

 

Divulgação
Capa do disco 'Me Moan', de Daughn Gibson

Será ele um cantor country? Ou um roqueiro gótico? Ou então um DJ de música eletrônica? Daughn Gibson é seu nome verdadeiro? Sim, sim, sim – e não. Josh Martin adotou o pseudônimo em homenagem a Don Gibson, ícone de Nashville, mas também poderia se ter se inspirado no nome de outro cantor do gênero, pois é impossível separar apenas um elemento de sua fusão vigorosa de guitarra e cordas, percussão e baixo, e vocais arrepiantes de barítono.

Me Moan é o segundo álbum de Gibson e chega apenas um ano depois do disco de estreia, All Hell. Naquele álbum, ele estava juntando samples que não tinham nada a ver (country, gospel, rock alternativo), e depois cantando como Johnny Cash em cima do resultado. Em Me Moan, tudo é maior. A voz de barítono ainda está lá, mas se expandiu, saindo de Cash e se tornando um coral sussurrado e lamentoso de um homem só.

A mistura de elementos musicais é ainda mais extasiante: ‘Mad Ocean’ carrega na gaita de foles e na bateria confusa, enquanto ‘Won’t You Climb’ combina um solo de teclado com cordas sentimentais. A mais estranha talvez seja ‘The Pisgee Nest’, que começa como um remix de ‘Gin and Juice’, de Snoop Dogg, até que uma guitarra nervosa introduz a letra.

Mas o que torna Me Moan especial é o que impede que todos esses elementos se desagreguem. Gibson é um compositor e produtor de primeira, com a capacidade de escrever um refrão de impacto e de garantir que ele seja absorvido, dando-lhe o espaço de que precisa. Provas disso estão no disco inteiro: basta ouvir o refrão galopante e de escala mutante de ‘The Sound of Law’, ou a pungente e acústica ‘All My Days Off’. Sem o baixo, as batidas e as gaitas de foles, Me Moan ainda seria bom de ouvir. Da maneira como está, é indispensável.

Escrito por James Manning
 

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