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Omar Souleyman – Wenu Wenu: crítica do disco

O álbum dançante de 2013 – de acordo com o seu produtor Kieran Hebden (também conhecido como Four Tet) – não é Immunty, de Jon Hopkins, nem Settle, do Disclosure. É uma coleção de pop folclórico do Oriente Médio montada por um sírio de 47 anos que canta em árabe e curdo, e que fez fama no circuito local de casamentos.

Omar Souleyman começou a se apresentar em 1994, eletrificando e acelerando a música síria tradicional chamada de dabke (coreografia de braços entrelaçados e pernas balançando que é feita nas celebrações do Líbano ao Iraque). Dois anos depois, juntou-se ao mago dos sintetizadores e produtor Rizan Sa’id, e se transformou em um tipo de lenda musical na região, dominando as bancas que vendem fitas.

Foi assim que o selo de obscuridades internacionais Sublime Frequencies, sediado em Seattle, o descobriu. Através das compilações que fizeram da música dele, a mistura de sintetizadores e saz (um alaúde de braço longo) foi descoberta pelos ouvidos ocidentais. Agora, Omar é famoso entre o público indie, com um remix assinado por Björk (que gravou seu ‘techno sírio’ – nem é necessário dizer que colou) e participações em festivais que vão do Primevera Sound ao Pitchfork (quando ele consegue tirar o visto).

Sua presença ao vivo é ao mesmo tempo empolgante e levemente descolada: um senhor de bigode vestindo túnica, keffiyeh, jaqueta de couro e óculos aviador, que tem as letras (em geral, melodramas românticos) sussurradas em seu ouvido no meio da apresentação por um poeta de terno e com a gravidade discreta de um assistente político.

Se contarmos as fitas piratas gravadas em casamentos, Souleyman tem cerca de 500 gravações, mas Wenu Wenu, produzido por Hebden, é seu primeiro álbum de estúdio. A coisa é viciante: uma balada folclórica microtonal, pulsante, de alta frequência e áspera, que abusa da continuidade em vez da variação, enquanto realça instrumentos com clareza. A voz séria de Souleyman é emoldurada e aprofundada pela reverberação. Sa’id está mais para um encantador de serpentes do que para um tecladista, soltando infindáveis e sinuosas linhas que saem da melodia com vida própria.

É claro que Wenu Wenu não tem o drama visual e a característica intrigante dos shows. Também não conseguimos comprar a história, propagandeada pelo próprio Souleyman, de que o significado geral das músicas transcende as barreiras idiomáticas: você realmente precisa ser mais que um simples humano para perceber que ‘Khattaba’ fala de um pedido de casamento em que a família da noiva exige um quilo de brincos de ouro e uma Mercedes. E também há as questões, nem todas tão triviais, em relação ao marketing e à percepção: as discussões sobre o exotismo, a autenticidade e o fetichismo do “Oriente encontra o Ocidente”; se Souleyman é kitsch e até que ponto isso pode ser previamente calculado.

Mas Wenu Wenu é genuinamente um forte candidato a álbum dançante do ano, pois, além de tudo, é muito divertido de dançar. Com uma urgência escancarada à qual é impossível resistir, seus sintetizadores iniciais levam diretamente para o meio de uma festa, como um táxi chegando a seu destino: a pista de dança. E essa festa está rolando desde 1994, portanto estamos atrasados.

Escrito por Bella Todd
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