Arcade Fire - Reflektor: crítica do disco

 

JF Lalonde/Divulgação
Capa do disco 'Reflektor', da banda Arcade Fire

“Você gosta de rock ‘n’ roll? Porque eu não sei se gosto...”, canta Win Butler, do Arcade Fire, no início de ‘Normal Person’, como se fosse um anti-Elvis. Mas não se deixe enganar por essas palavras: não se trata de nenhum Kid A, do Radiohead. Embora Reflektor seja o maior flerte da banda canadense com a pista de dança, ainda assim é uma miríade confusa e comprida de explorações musicais, em que o grupo parece possuído pelas qualidades da dance music, apesar de não ter adotado o gênero para si – desde a faixa-título, disco ‘vodu’, até as nuances à New Order em ‘It’s Never Over’.

De toda forma, a energia para se fazer um álbum seminal está com eles. Desde que entrou no rock da primeira década dos anos 2000, com o mórbido e teatral Funeral, de 2004, o Arcade Fire tem redefinido os limites de guitar band. E, quase dez anos depois, com James Murphy do LCD Soundsystem como produtor, o grupo está pronto para mergulhar em um mundo sonoro mais variado.

Dividido em dois discos, o que dá espaço para a odisseia completa de 70 minutos, Reflektor é cheio de trajetórias desviadas – tanto que em alguns momentos parece estar zapeando (particularmente no clipe de ‘You Already Know’). A faixa ‘We Exist’ pega emprestado o baixo de ‘Like a Virgin’, de Madonna, enquanto ‘Flash Bulb Eyes’ experimenta com gélidas reverberações de dub.

O álbum também traz uma seção rítmica extra feita por dois percussionistas haitianos, que conferem um certo mistério à sonoridade do Arcade Fire, levando-a a territórios desconhecidos com seus tambores que ecoam como lembranças de uma vida passada. Em geral, soa complicado e inteligente – mas, até aí, isso não é nenhuma novidade.  

Escrito por Harriet Gibsone
 

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