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Bruce Springsteen - High Hopes: crítica do disco

A tendência dos duetos de celebridades – em que os artistas fazem covers de suas próprias canções do passado com a ajuda de parceiros famosos – surgiu e, felizmente, foi embora alguns anos atrás, chegando ao fundo do poço com a conspiração de Ray Davies e Mumford And Sons para assassinar a canção do Kinks, ‘Days’.

Mas, justo quando você achava estar a salvo, Bruce Springsteen decide, inexplicavelmente, revisitar uma de suas músicas mais adoráveis e politicamente fortes – o hino à migração econômica, acústico e sussurrado, ‘The Ghost of Tom Joad’, de 1995 – na companhia estridente do amuado Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine.

O resultado são sete longos minutos de urros e exageros – algo como a banda de rock Nickelback misturada ao folk de Woody Guthrie. O resto do álbum High Hopes é mais agradável, porém também dispensável. É uma colcha de retalhos de covers – uma versão dissonante de ‘Just Like Fire Would’, do The Saints, e, um dos destaques do álbum, ‘Dream Baby Dream’, do Suicide – mas muitos deles sofrem da mesma produção excessiva entusiasmada que estragou o recente disco de Springsteen, Wrecking Ball.

O disco tem pontos altos: a alegre ‘Frankie Fell in Love’ traz Bruce de bom humor, enquanto ‘American Skin’ é um antigo sucesso ao vivo que recebe um tratamento de bom gosto. ‘The Wall’ é uma ode cheia de pompa, mas sincera, ao roqueiro de Nova Jersey e vítima da Guerra do Vietnã, Walter Cichon. Mas, vendo o todo, parece que o ‘chefe’ está no piloto automático: apesar da grande banda, dos grandes acordes e da proliferação de imagens religiosas, falta espírito.

Escrito por Tom Huddlestone
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