Tinariwen - Emmaar: crítica do disco

 

Divulgação
Capa do disco 'Emmaar', da banda Tinariwen

Em agosto de 2012, Abdallah Ag Lamida foi preso pelo Ansar Dine, grupo islâmico do Mali, por fazer “música do diabo” com a Tinariwen, banda de rock tuaregue. Quando ele foi solto, a banda tratou de dar o fora – fugiu de Mali para Joshua Tree, no deserto da Califórnia, para gravar seu sexto disco.

Faz sentido que Emmaar tenha sido criado no lar espiritual da música psicodélica americana. É o tipo de música que nos transporta, em uma viagem de blues elétrico, para o universo arenoso da Tinariwen, de longas melodias em tamasheq (conjunto de dialetos de povos nômades do Saara).

As músicas fluem em um contínuo, e esse é seu maior apelo: são todas variações sobre um tema, um único tom, com altos e baixos. Momentos de calma – a canção “Sendad Eghlalan”, por exemplo – nos fazem flutuar, até que o ritmo mais agitado de faixas como “Imdiwanin ahi Tifhamam” finque novamente nossos pés no chão.

Apesar das participações especiais do violinista Fats Kaplin e do guitarrista do Red Hot Chili Peppers, Josh Klinghoffer, quebrarem um pouco o encanto, Emmaar nunca é menos do que hipnótico e envolvente. A Tinariwen criou uma bela louvação ao deserto, um tributo à aridez e ao calor – ainda que, desta vez, o deserto esteja longe. Resta só um incômodo: a introdução falada do disco. Não fica sussurrando no meu ouvido, cara! É meio esquisito.

Escrito por Eddy Frankel
 

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