Time Out São Paulo

Esperanza Spalding

A sensacional ganhadora do Grammy  fala com a Time Out

Derrotar a febre teen Justin Bieber e levar o cobiçado prêmio Melhor Revelação no Grammy em fevereiro de 2011 oficializou a baixista e cantora Esperanza Spalding como o que há de mais quente no jazz atualmente. Conversamos com esta sensacional musicista antes de uma apresentação sua em Londres.

 

TO Esta é uma pergunta óbvia para começar, mas como foi a experiência do Grammy para você?

ES Foi explosiva! Eu fiquei uns quatro dias em Los Angeles ensaiando com os jovens músicos da banda do Grammy, que é tipo uma banda de talentosos jazzistas adolescentes de todo o país. Trabalhar com eles e seus professores foi inspirador e maravilhoso. Nós tocamos juntos e saímos antes da curta apresentação na televisão. E teve mais, na noite anterior, eu estava ensaiando com um dos meus ídolos, Bobby McFerrin!

 

TO Não existem muitos refrões que o público consiga cantar junto no seu LP Chamber Music Society - mas eles adoram o álbum...

ES A ideia é explorar o meio-termo entre os arranjos de jazz e da música clássico. Uma coisa que eu sentia falta desde que parei de tocar o violino era da música de câmara. E a banda com a qual eu estava em turnê antes do Chamber Music Society era muito bombástica... eu estava pronta para uma coisa mais intimista. Ao vivo, nós mantemos a forma básica da música, claro: melodia, arco, acordes, mas deixamos espaço o bastante para interpretações livres dentro dessa estrutura. 

 

TO Você já teve grandes públicos em Londres e parece estar conquistando muitos fãs aqui -  como é tocar em Londres?

ES Londres foi a última parada da minha primeira turnê. Isso foi há uns nove anos. Eu me encantei pela cidade e ainda me encanto toda vez que venho. Eu fiz uma conexão entre o estilo de arquitetura londrina e minhas preferências em Boston e Nova Iorque. E eu adoro a evolução orgânica da cidade, principalmente em áreas mais antigas - como as ruas se curvam e como os edifícios brotam de modo criativo... e as plateias sempre foram calorosas e receptivas.

 

TO Você falou sobre trazer o improviso de volta para um público mainstream - o que há de tão excitante na improvisação?

ES Criação poética espontânea - é desse modo que eu sinto isso ultimamente. Eu tenho a mesma sensação gostosa e revigorante que toma meu cerébro e minha barriga quando ouço uma banda de jazz que me comove e quando ouço um incrível MC rimando em freestyle. Imagine uma pessoa que tem um repertório incrível e interessante e é capaz de criar frases poéticas e coerentes e contar histórias num repente... com rimas! Para mim, essa é uma manifestação muito empolgante de criatividade.

 

TO O público deve esperar uma experiência intelectual e emocional nas suas performances...

ES Pessoas diferentes recorrem à música por motivos diferentes. Às vezes, nós não queremos ser desafiados. Tudo depende do humor em que está o ouvinte. É como ver peças diferentes. Nós sabemos que alguns diretores e dramaturgos nos levarão em diferentes jornadas psicológicas e emocionais. E o público escolhe experiências diferentes em diferentes momentos de sua vida, do ano, do mês, da semana, da hora... se você for um amante da música, é provável que você esteja aberto a ouvir qualquer coisa, para saber se ela te afeta ou não.

 

Escrito por Time Out São Paulo editors
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