Time Out São Paulo

Forró no escuro

Forró sem acordeão prá lá de dançante

É forró, mas não do tipo que você está acostumado. Para começar, não tem acordeão - o instrumento-símbolo do gênero que é amado por alguns e odiado por muitos. Apenas um integrante da banda vem do Nordeste. E para completar, eles nem moram no Brasil, mas em Nova Iorque. Foi nessa cidade americana que Refosco, Jorge, Davi e Guilherme montaram o grupo que funde vários ritmos da música popular brasileira em 2002. Apesar das diferenças, uma coisa se mantém igual ao forró tradicional: a música dos garotos foi feita para dançar. Uma mistura animada de rock e MPB que é apimentada com toques de forró.

“No começo, nós tínhamos acordeão”, explica Guilherme, “mas aí nós desenvolvemos um som mais pesado, com baixo e guitarra. E guitarras abrem mais portas que acordeões”, diz.

Um dos primeiros fãs da banda foi David Byrne, que colaborou com seus vocais na faixa “Asa Branca”. Três álbuns depois, a Forró no Escuro tocou no SESC Pompéia em dezembro de 2010 e os casais na plateia logo se animaram para dançar o 'rala-coxa' característico do ritmo nordestino. “Para nós, tocar no Brasil e sentir a reação da plateia é demais”, diz Guilherme. “É muito importante porque não queremos ser uma banda de gringos”.

Eles até podem dar uma nova cara ao forró, mas como foi visto no show do SESC, a essência da música continua a mesma. “Forró é como uma festa popular”, conta Guilherme. “[O ritmo] começou quando as pessoas davam festas depois de casamentos ou quando alguém ia inaugurar um novo andar na casa e todo mundo queria dançar”. Guilherme e Jorge são do Rio, Mauro é de Santa Catarina e só Davi vem de Salvador, berço do forró. Mas cada um trilhou seu próprio caminho até a música.

“Eu costumava ir a Caraíva, no litoral da Bahia, onde a única coisa para se fazer à noite era dançar forró. Foi assim que eu comecei. Primeiro dançando, depois tocando”. Com isso Guilherme se despede para se juntar a seus companheiros e passar as Festas na terra natal. Mas antes de ir, mais uma pergunta: de onde veio o nome? “Tem uma música do Luiz Gonzaga que se chama ‘Forró no Escuro’”, diz Guilherme. “Ela resumia bem a essência de um baile de forró e reflete a música sensual que a gente faz”.

Escrito por Time Out São Paulo editors
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