Palavra de Rua

Equipe Time Out conversou com essa paulistana que cresceu em Goiás, mas se encontrou em São Paulo

Lienio Medeiros

Cristal é o seu nome ou você o criou?
Meu pai é astrólogo, sonhou com o ‘Elohin’ (que é um anjo) Cristal e quis que este fosse o meu nome.

E trouxe sorte?
Quando era criança, não suportava. Morava em Carlândia (GO), um distrito de chão de terra, com dois mil habitantes. Aí todo mundo zoava. Uma menina chamada Cristal, ruiva, magrela.

O diferente é o mais interessante.

Sim, eu não gostava de ser ruiva nem do meu nome. Hoje, eu gosto de tudo.
Você está aqui desde fevereiro, antes morava no Rio. Quanto tempo ficou lá?
Dois anos. Minha namorada era do Rio. A princípio, minha família queria me matar, me prender, me amarrar em casa. Fui de Acreúna (GO) para lá.

Você muda muito.

Meus pais são separados. Minha mãe sempre se mudou muito. Dava a louca e se mudava. E meu pai era hippie, sempre foi nômade também.

Por que veio para São Paulo?

Eu terminei o namoro e nunca gostei do Rio de Janeiro. Lá você só fica ‘nadando no raso’ com as pessoas. Apesar de a minha família inteira morar em Goiás, todo mundo é daqui. Nasci no Hospital Universitário. Hoje, da minha janela eu vejo o HU. Eu sempre me achei estranha em Goiás, porque a gente não tem nada a ver com os goianos.

Você trabalha em uma loja da Oscar Freire. Gosta de moda?

É o que eu quero fazer. Quero trabalhar com essa área e com maquiagem. Sou louca por maquiagem.

E como vendedora?

Sou terrível. Mas gosto de mostrar a loja inteira. Peço para as clientes experimentarem só para ver como fica no corpo, mesmo sabendo que não vão levar.

E você frequenta a cena gay da cidade?

Médio. Mas todo lugar que eu vou, eu encontro 300 ‘sapas’. Vou à Augusta, o básico. E sempre a uma balada chamada Quentinha, fica na Treze de Maio. Vocês já ouviram falar das meninas Dedilhadas? É um ‘vlog’ (blog em forma de vídeo) sobre sapatão. Eu falo sapatão, mesmo, que para mim é tranquilo.

Você falou que é vegetariana. Sempre foi?

Eu comecei com uns 7 anos. Meu pai é astrólogo e eu comecei a estudar muito o lado espiritual. Tem algumas teorias que defendem que a carne é ácida e quando você traz a acidez para o seu corpo, você leva junto as impurezas, as doenças e tudo mais.

Menina, você era um peixe fora d'água.

Escrito por Evelin Fomin e Maria Eugênia Gonçalves
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