Invasão Britânica

Esqueça os ‘erres’ pesados e a pronúncia nasal americana: em maio, a cidade brinda com pints de cerveja os destaques da cultura britânica

Cortesia White Cube/ Antony Gormley/ Divulgação
A obra monumental Amazonian Field, de Antony Gormly, volta ao Brasil duas décadas depois de sua última mostra, no Rio

 A Grã-Bretanha nunca precisou de muita ajuda para se autopromover fora de seus limites territoriais: um forte pedigree no rock ‘n’ roll, uma capital icônica e uma reputação de humor refletida em boas comédias, para citar apenas alguns de seus méritos, atraem turistas há décadas. Capitalizando a atenção que será direcionada àquele país durante os próximos Jogos Olímpicos, o governo do Reino Unido lançou a campanha ‘GREAT’, em 2011, para promover o país como destino turístico neste ano. Mas a exportação da cultura pop britânica consegue resultados bem melhores para engrandecer a nação do que qualquer iniciativa do governo jamais conseguiria – criar slogans como ‘Comprar é GREAT', ‘Música é GREAT’ (utilizando a palavra ‘great’, de Great Britain), por exemplo, não pegou muito bem por lá.

De fato, as tentativas das autoridades em ganhar com a cena do rock do Reino Unido são famosas por dar muito errado em solo nacional – mais notoriamente em 1997, quando o então novo primeiro-ministro Tony Blair organizou a festa ‘Cool Britannia’, à qual compareceram figuras influentes da cultura local, entre elas Noel Gallager, do Oasis. Muitos dos participantes estão tentando esquecê-la até hoje, até porque a palavra ‘cool’ (que significa ao mesmo tempo ‘frio’ e ‘legal’), uma vez pronunciada por um primeiro-ministro subserviente, instantaneamente fica muitos graus mais 'gelado’.

Em São Paulo, uma invasão britânica independente e casual tem eventos programados para o mês de maio recheados com grandes destaques culturais – desde uma grande exposição do artista Antony Gormley, no CCBB, até os shows de Franz Ferdinand e The Horrors, pontos altos do 16º Festival da Cultura Inglesa. E mais: um elenco brilhante no Sónar, cheio de talentos britânicos – entre os quais poucos integrantes do governo já ouviram falar. O festival catalão, que dura um fim de semana, inclui estrelas da cena eletrônica britânica, tais como Skream, que inovou o dubstep, Squarepusher e Mogwai, da velha-guarda, e os novatos James Blake, Rustie e Hudson Mohawke, expoentes do novo som de Glasgow.

Escrito por Time Out São Paulo editors
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