Time Out São Paulo

C40 Climate Summit

São Paulo abrigou, em 2011, encontro que de prefeitos das maiores cidades do mundo para discutir as mudanças climáticas

Tudo começou em 2005, quando Ken Livingstone, então prefeito de Londres, organizou uma reunião de líderes de 18 cidades para discutir soluções para as mudanças climáticas. Aquela reunião se transformou no Large Cities Climate Leadership Group, um "think tank" ecológico que agora funciona em parceria com a fundação do ex-presidente americano Bill Clinton e abrange 40 municípios. O encontro bienal do grupo em 2011 – a C40 Large Cities Climate Summit – aconteceu em São Paulo, de 31 de maio a 3 de junho. Michael Bloomberg, atual presidente do grupo e prefeito de Nova York, e governantes de cidades tão diferentes quanto Jacarta, Copenhagen e Adis Abeba, formularam inciativas e compartilharam conhecimento e ideias sobre como podem melhorar o ambiente de forma sustentável, social e economicamente.

De acordo com o C40, as cidades abrigam apenas metade da população da Terra, mas produzem 80% dos gases do efeito estufa que contribuem para o aquecimento global. A grande ideia é reduzir a quantidade de carbono emitido na atmosfera em 30% de 2005 até 2050 em todas os municípios participantes. Isso significa a aprovacão de normas e projetos que aumentem a eficiência energética, economizem recursos e resultem na produção e na utilização de energia limpa. Mesmo antes de se juntarem ao C40, algumas cidades já tinham começado a mostrar seu compromisso com um futuro mais sustentável: a instalação de energia solar em Melbourne – a maior do Hemisfério Sul – reduziu as emissões de carbono em 1.314 toneladas desde 2003; o sistema de ônibus rápido de Bogotá, inaugurado em 2000, reduziu as emissões de gases do efeito estufa na capital colombiana em 40%; e Copenhagen utiliza o lixo para gerar calor desde os anos 1980, com 97% dos prédios da cidade aquecidos pela incineração de resíduos. A missão do C40 é garantir que essas cidades ajam em harmonia com outras.

Desafio paulistano
A congestionada São Paulo pode parecer uma escolha nada convencional para receber uma reunião sobre mudanças climáticas; mas é o desafio de resolver essas questões que faz da cidade um importante elemento na luta contra mudanças climáticas catastróficas. "O que São Paulo tem a mostrar pode parecer limitado – pouquíssimos parques, uma imensa frota de carros", diz Hélio Mattar, presidente do Akatu, ONG que promove o consumo consciente. "Mas temos aquecimento solar de água para famílias de baixa renda, temos energia hidrelétrica, temos etanol de baixo custo. Temos muito a compartilhar com outras cidades."

Além da lenta, mas contínua expansão do sistema de metrô da cidade, os governos municipal e estadual uniram forças em projetos sustentáveis, incluindo programas de reciclagem e descarte de resíduos, iniciativas de economia de água, expansão de parques e espaços verdes na região e programas de conscientização ambiental nas escolas. Ainda assim, com 20 milhões de pessoas na região metropolitana, mais de 7 milhões de veículos poluentes e transporte público severamente inadequado, o caminho para um futuro mais verde parece ser bastante difícil.

Como dizem, é complicado. Confira as iniciativas verdes da cidade segundo o prefeito paulistano, Gilberto Kassab. Leia, também, o que diz André Palhano, fundador da Virada Sustentável, sobre os desafios ambientais que a cidade terá que enfrentar; e os pontos de vista de algumas cidades da Time Out. E, por fim, respire um pouco de ar limpo com nossa homenagem de cinco páginas aos parques de São Paulo.

Escrito por Ernest White II, Gibby Zobel e Ana Cecília de Paula
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