Time Out São Paulo

FILE Life 2012

Festival mostra que arte e tecnologia são faces de um mesmo chip


Já estamos cansados de saber que o mundo mudou, e muito, com a evolução tecnológica dos últimos tempos; que as novas tecnologias são presença constante em nossas vidas, e que convivemos com tais inovações aonde quer que formos. Mas por que trocaríamos uma exposição de arte clássica por um festival de arte e tecnologia?

Simplesmente porque “o mundo digital trouxe uma outra maneira de se fazer arte e de se ver a arte”, explica Ricardo Barreto, curador do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE), um dos primeiros eventos a unir arte e tecnologia na América Latina.

Idealizado por Barreto em companhia de Paula Pericinoto, o FILE teve início na própria cidade de São Paulo em 2000 e ganhou o Brasil e o mundo nos anos seguintes, passando por cidades como Rio e Porto Alegre, e países como Cuba, Luanda, Holanda e Japão. Inicialmente o evento era voltado apenas à internet, mas depois de algumas edições, seus criadores perceberam que o mundo digital é extremamente complexo justamente porque a digitalidade é altamente interconectiva – “então resolvemos criar outros eventos no mesmo festival”, resume o curador.

Batizado de clusters – que, para os “não antenados”, significa seções agrupadas em rede – esses eventos abordam os mais variados temas, como tablets, aplicativos, games, música eletrônica experimental, animação, além das populares instalações interativas.

Um dos destaques dessa décima terceira edição é a instalação em forma de um grande cubo robotizado que flutua pelos ares da exposição – não é mágica, é gás hélio mesmo. Batizado de Paradoxal Sleep pelos artistas canadenses Nicolas Reeves, David St-Onge e Ghislaine Doté, o objeto sobe, desce e reproduz imagens e vídeos.

Outra instalação que vale destacar é a Túnel, invenção dos artistas brasileiros Leonardo Crescenti e Rejane Cantoni, que são conhecidos por trabalhos que incorporam o movimento do corpo em suas obras. O túnel interage com quem caminha por ele, realizando barulhentos movimentos de acordo com a massa do corpo do visitante. Um dos pontos altos do evento é o Anima+, cluster que reúne algumas animações dos maiores festivais internacionais de curta e longa-metragens feitos por produtores independentes e grandes estúdios.

Questionado sobre a utilidade de tais obras e invenções, Barreto responde que muitas das experiências feitas pelos artistas são rapidamente cooptadas pelo mercado. Ele cita como exemplo a tecnologia Kinect do console Xbox 360, que permite ao jogador controlar os jogos utilizando apenas o próprio corpo – sem usar um controle – recurso que já era usada por pesquisadores no FILE há alguns anos.

Sem desconsiderar o ideal da arte pela arte, uma das características mais interessantes do festival é o fato de suas obras/invenções terem um caráter prático; o que, justamente por estarem conectadas em rede, geram, segundo Barreto, uma “criatividade coletiva”. Mas para aproveitar o FILE não é preciso teorizar sobre as tecnologias e suas consequências, basta ser um amante do que é novo, ou simplesmente ter curiosidade.

FILE Life 2012 Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso. Av. Paulista, 1.313, 3146 7405. Grátis. 17/7 a 19/8. file.org.br

Conheça outros eventos que unem arte e tecnologia, como o Primeiras Obras e o Emoção Art.Ficial 6.0.

Escrito por Anita Name
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