Time Out São Paulo

Subindo pelas paredes

O parkour, esporte urbano nascido na França, ganhou as ruas da cidade. Emilie Brunet conferiu

No decadente Centro de São Paulo, um grupo de rapazes está brincando – ou será trabalhando? Suados após tanto esforço, mas nem por isso desistindo, eles estão no meio de uma aula de parkour – um esporte radical que usa a cidade como pista de infinitos obstáculos, em que os praticantes (traceurs ou traceuses) correm por espaços abertos, escalando muros e driblando obstáculos e qualquer outra coisa que esteja no caminho.
A aula é ministrada pelo professor de parkour e traceur Leonard Akira, que, além dos cursos regulares, também começou a ensinar o esporte a 15 estudantes carentes em cursos de três meses como parte do projeto Salto Livre.
O nome "parkour" vem da expressão parcours du combattant, que se refere a uma técnica de resgate desenvolvida por soldados e bombeiros franceses na primeira metade do século XX. Hoje, a modalidade está intimamente ligada aos banlieues, a periferia explosiva e economicamente defasada de Paris.
Em São Paulo, pessoas com roupas urbanas casuais geralmente têm bastante dificuldade de praticar parkour sem serem paradas pela polícia, que às vezes confunde os traceurs com criminosos fugitivos. Todos os alunos de Akira usam a mesma camiseta – com uma insígnia e um recado dizendo à polícia que não são ladrões, e sim atletas.
Mas, como já ficou claro, não se trata de atletas comuns. Deixando as regras e a competição de lado, os traceurs preferem definir seus próprios desafios e metas, fazendo uso dos elementos mais sinistros e difíceis da cidade, pulando e escalando pelo parque de diversões de concreto composto por muros, grades e prédios.
Missão possível
Um senso moral forte é fundamental no ensino da modalidade, diz Akira. Tracerus aprendem a se verem como guardiões, com a missão de proteger e ajudar pessoas em perigo ou que simplesmente precisam de ajuda.
"A maioria das pessoas vê um assalto, um assassinato, um acidente de carro e não chama a polícia porque tem medo", diz Akira. "O parkour te ensina a procurar as coisas que estão erradas na cidade e agir contra elas." Ea missão altruísta parece produto de uma imaginação fértil, estimulada por videogames e artes marciais, mas o visual benevolente dos traceurs é realmente bem-vindo em uma cidade cujas ruas frequentemente dão a sensação de selva de pedras – e há poucos pontos turísticos mais emocionantes que alguém surgindo de repente em um muro ou voando sobre um precipício, para depois desaparecer na selva.
Cadastre-se no site lepartanos.com para começar a treinar em São Paulo. As aulas custam R$ 80 por mês e acontecem às quartas, das 19h às 22h, e aos sábados, das 9h30 às 13h30. Ou vá à Praça da Sé numa manhã de sábado e se junte aos curiosos que assistem a Akira e sua turma praticando parkour. Metrô Sé, ao lado da catedral.

Escrito por Emilie Brunet
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