Orquídeas em São Paulo

Desvende as sutilezas do delicado reino das orquídeas

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Orquídeas em São Paulo
Do violeta ao amarelo, passando por outros tons, as orquídeas dão um show de cores

Sensoriais, sensuais e delicadas, as orquídeas são as celebridades do mundo das plantas. Mas você não precisa namorá-las apenas em revistas. Basta observar com mais atenção e logo você vai se deparar com uma orquídea florida explodindo sua beleza no tronco de alguma árvore das ruas paulistanas. Olhe mais de perto e verá que ela está presa por um arame – um gesto de gentileza cívica cada vez mais comum, para a apreciação geral.

Essa prática simpática que alegra as ruas e praças da cidade também é o resultado de uma lei aprovada em 2004 que proibiu a venda do xaxim – ele estava entrando em extinção por ser tão usado para o cultivo de plantas, como nos vasos de orquídeas. Mas se você não está com paciência suficiente para caçar essas belezas pelas ruas, vá direto à fonte e as aprecie nos lindos orquidários de São Paulo.
 

Orquidário Ruth Cardoso

Parque Villa-Lobos, Rua Professor Fonseca Rodrigues, 2001, Alto de Pinheiros (3023-0316). Horário de funcionamento Diariamente, 9h-17h. Ingresso Grátis.

Comece sua expedição contemplativa no excelente Orquidário Ruth Cardoso, que funciona desde 2010 no Parque Villa-Lobos. A cúpula moderna e translúcida encobre a majestosa estufa, que contém nada menos do que 170 espécies de todo o mundo – Brazil, Índia, México e Tailândia –, o que faz com que sempre haja flores desabrochando.

Batizada em homenagem à antropóloga e mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, morta em 2008, a estufa gigante foi projetada pelo arquiteto Décio Tozzi em formato esférico, inspirado nas ocas indígenas – a luz natural e circulação constante de ar são elementos essenciais do projeto. A orquídea Rhynchosophrocattleya Ruth Cardoso, em parte híbrida da Sophrocattleya Ayrton Senna, tem lugar de destaque. Aproveite para ver essa exuberante flor, ela floresce nos meses de novembro e dezembro.

No centro da estufa, há colunas de metal enferrujado, que parecem de madeira, e que sustentam um mosaico de pétalas multicoloridas. “Cheire esta aqui”, convida o orquidófilo Geraldo Neto, mais conhecido como Trisca. Ele trabalha na empresa Florestal Atlântica, que doa o serviço de manutenção do orquidário ao parque.

Gibby Zobel
Orquidário Ruth Cardoso

“As pessoas costumam dizer que é como chocolate branco.” E, de fato, embora não seja uma flor espetacular, a Maxillaria rufescens evoca esse aroma doce. Já outra orquídea da coleção cheira como algo podre, mas suas suntuosas pétalas se movem. “Tudo depende do tipo de polinizador que a flor quer atrair”, explica Trisca, cujo amor por essas plantas começou cedo. “Quando eu era criança, havia orquídeas que me deixavam encantado”, diz. “Mas eram tão caras, que ficava feliz só de vê-las. Hoje, temos a vantagem das espécies híbridas; de uma mesma planta, você consegue gerar uma orquídea que custaria R$ 500 por R$ 15.”

Independentemente do preço, essas flores são um bom investimento se bem cuidadas – com uma estimativa de 20 mil espécies, 70 mil se forem contadas as híbridas, são a família mais numerosa do mundo das plantas, e por uma razão. “Uma orquídea sempre renasce. Se você cuidar bem dela, ela pode durar sua vida inteira e ser passada de geração para geração”, comenta Alexandre Soares, biólogo e proprietário da Florestal Atlântica. E ele sabe do que está falando: “Boa parte desta coleção foi da minha avó, Lavinha. Ela cuidou delas até seus últimos dias”, conta. Por outro lado, a estufa também tem plantas que foram resgatadas – algumas literalmente do lixo – durante a construção do Rodoanel, em São Paulo.

A Florestal Atlântica promove ainda oficinas mensais gratuitas sobre cuidados com as flores no orquidário. “Há uma lenda que diz que as orquídeas são ruins para o espírito humano”, conta Trisca. “Mas isso surgiu da mentira contada pelos homens brancos aos índios; que diziam que as orquídeas trariam má sorte às aldeias e, assim, roubavam as plantas.” Felizmente a lenda não colou, uma vez que o Brasil ostenta a maior biodiversidade de orquídeas do mundo.

No local há workshops mensais que ensinam a cultivar orquídeas. Mais informações pelo e-mail: pvl@ambiente.sp.gov.br.
 

Jardim Botânico

Avenida Miguel Stéfano, 1331. Água Funda (5073-6300 / ibot.sp.gov.br). Horário de funcionamento Ter. a dom., 9h-17h. Ingresso R$2.50-$5.

Gibby Zobel
Jardim Botânico

Neste refúgio de tranquilidade, na zona sul da cidade, você encontra 1.159 espécies de plantas, bem como córregos de água pura, em mais de 14,5 hectares de área natural. Explore o museu, os jardins temáticos e os lagos de ninfeias – perca-se um pouco pela bela paisagem. Ou se preferir ir diretamente às orquídeas, procure a estufa – construída em 1928 –, que abriga centenas de flores perfeitas.
 

Orquidário Morumby

Avenida Professor Vicente Rao, 1513. Brooklin Paulista (5041-2391 / morumby.com.br). Horário de funcionamento Ter. a sáb., 9h-19h; Dom., 9h-17h.  Ingresso Grátis.

Gregory Grigoragi
Orquidária Morumby

Este orquidário vende uma miríade de espécies diferentes da flor e é o consultório ideal para levar sua orquídea se ela estiver fora de forma ou indisposta. Na ala das flores, a equipe cordial explicará tudo o que você precisa saber sobre como cuidar de sua planta. Aproveite para tomar um café ou almoçar enquanto estiver por lá.

Escrito por Gibby Zobel
 

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