Time Out São Paulo

Jantando às escondidas

Por que ir a um restaurante quando você pode jantar no conforto do lar? Melhor ainda quando é o lar de um chef renomado! Mariana Baccarin foi em busca dos jantares privados em São Paulo

Almoços e jantares servidos a portas fechadas, em casas particulares, estão cada vez mais populares em cidades como Nova Iorque, Londres e Buenos Aires, onde a tendência já está bem estabelecida. Em São Paulo essa onda chegou um pouco mais tarde. Alguns dizem que o hábito dos brasileiros de deixar tudo para a última hora complica esse tipo de serviço, já que os jantares em residências particulares requerem um mínimo de planejamento e agendamento. Os cardápios tentadores, que circulam por aí em emails, fazem brotar reservas em um ritmo acelerado.

Brasileiro dos pés à cabeça
No restaurante Mara, na casa da chef Mara Rasmussen, a pedida é um almoço no fim de semana. Na residência, cabem até 20 pessoas por vez. Dê a largada com uma caipirinha (R$ 12) e aproveite as refeições 100% brasileiras, que abraçam o conceito de comfort food em pratos tradicionais como o camarão na moranga. Rasmussen fundou o ‘finado’ Bar da Terra, na Vila Madalena, que era um ponto de encontro para estudantes, militantes e artistas de esquerda nos anos da ditadura.

Hoje em dia, na sua pequena sala no bairro da Bela Vista, adornado por uma varanda repleta de verde, fotos de Mara com Ceatano e Vinícius de Moraes se misturam aos móveis. E o cardápio? Porções generosas de lula marinada são a entrada, servidas com salada verde (R$ 20-R$ 22), o prato principal, pode ser uma massa, pode ser uma rabada com agrião e polenta mole, ou polvo (R$ 35-R$ 45). Para fechar com chave de ouro, a sobremesa é variada e acompanhada do cafezinho (R$12). A água aromatizada com hortelã, o café e os suspiros ficam por conta da casa.

Amizade colorida
Em um esquema mais refinado, os amigos Pila Zucc e Demian Figueiredo – os tais Les Amis do nome do restaurante – acomodam 22 pessoas em seus jantares semanais, que ocorrem em uma casa próxima da Praça do Pôr do Sol, no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital. A cada mês, a dupla escolhe uma região e os quatro jantares são criados com esse tema. O ‘Ásia’ inclui ostras grelhadas e lula com soja fermentada e amendoim torrado; para sobremesa, mil-folhas de banana com sorvete de tapioca, servidos sobre uma camada de farofa de macadâmia e gengibre caramelizado.

O jantar de cinco pratos, custa R$130 por pessoa, inclui um drink de boas-vindas e água à vontade. Uma taça do vinho da casa sai por R$ 15, você também pode trazer uma garrafa pagando R$ 10 a rolha. Há apenas uma condição: quando você fizer a reserva, escreva algumas linhas sobre quem você é. “Nós gostamos de saber um pouco sobre as pessoas que estamos recebendo”, diz Figueiredo. Faz sentido, afinal, você está jantando na casa do chef.

O Les Amis, que tem a reputação de ser um dos melhores restaurantes de portas fechadas da cidade, acomoda os clientes em duas grandes mesas. Esse clima em família aumenta as chances de conhecer pessoas interessantes durante o jantar, o que, ao lado da gastronomia importada da França pelos chefs (os dois estudaram no país), é um dos pontos fortes do lugar. Uma boa parte do mobiliário das décadas de 1950 a 1970 está à venda, bem como as sempre-renovadas exposições de arte e fotografia.

Muito além dos nachos
Por fim, a Casa dos Cariris, mais um restaurante bem falado no boca-a-boca paulistano. A chef mexicana Lourdes Hernández serve jantares semanais com pratos tradicionais da culinária mexicana formulados com ingredientes de primeira - grande parte comprada no México. Aqui você com certeza não vai encontrar comida tex-mex. “A maioria das pessoas não faz ideia do que é comida mexicana de verdade”, diz Carina Muller, uma cliente assídua na Casa dos Cariris e também chef.

Para entrada, experimente o pico de gallo, feito com abacate, laranja e chilli, ou a jalapeño recheada. O mixiote de carneiro, feito com tomates verdes e enrolado em folhas de agave é um dos tentadores pratos principais. Uma outra opção é o peixe no molho pipián – feito com sementes de abóbora – com creme de urucum e pimenta habanero. Para garantir um lugar à mesa na casa da chef, você vai gastar de R$ 60 a R$ 70, com entrada e prato principal incluídos. As bebidas, como a criativa margarita de tamarindo, são preparadas e servidas pelo marido de Lourdes, o artista Felipe Ehrenberg.
 




Mara R. Japurá 346, Bela Vista, 11 3107-7400. maraazenha@gmail.com
Les Amis Pç. Gastão Cruls, 38, V. Madalena, 11 3021-9882 deportasfechadas@lesamiscozinha.com.br
Casa dos Cariris Pinheiros. guisandeira@gmail.com

Escrito por Time Out São Paulo editors
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