O melhor da comida japonesa sem sushi

Descubra outras variações da culinária regional japonesa que não ficam apenas no peixe cru

Sarah LeBaron von Baeyer
Explore a cozinha regional no restaurante Deigo comendo um tebichi

Em São Paulo, o sushi é encontrado em toda parte e considerado sinônimo de comida japonesa, mas a culinária nipônica é muito mais rica, variando de acordo com a estação do ano e com a região na qual se origina. 

A cidade proporciona a oportunidade para explorar outros territórios gustativos além dos já conhecidos temaki e do tempurá. O bairro da Liberdade – historicamente o coração nipônico da cidade – reserva surpresas. Foi lá que marcamos uma excursão pelas diferentes regiões gastronômicas representadas no bairro.

Para começar, comemos em uma das casas mais autênticas da região, o Deigo (Praça Almeida Júnior, 25, Liberdade, 3207-0317). Restaurante marcado por lanternas vermelhas e com placa em japonês, que funciona apenas no jantar, o Deigo representa Okinawa (ilhas no sul do Japão), desde as opções gastronômicas até no nome (deigo é a flor oficial de Okinawa). Quando não estão lidando com polvos inteiros e fatias de carne suína, os donos (marido e mulher nascidos em Okinawa, é claro), param para beber uma cerveja com os fregueses no balcão.

A comida dessa região é famosa pelo uso que faz da carne de porco e pela goya, um legume amargo. Peça o tempurá de goya ou o tebichi, um ensopado de pé de porco. Mas quem preferir uma carne menos gordurosa pode optar pelo sobá ao estilo de Okinawa, uma iguaria com macarrão de trigo, carne de porco ensopada, ovo, bolinho de peixe, cebolinha picada e gengibre rosa em conserva.

De uma ponta a outra do arquipélago japonês, o Lamen Kazu (R. Tomaz Gonzaga, 51, 3277-4286, lamenkazu.com.br) serve uma tigela fumegante de missô lamen ao estilo de Hokkaido, coberta de milho, kombu (alga) e um pedaço de manteiga derretendo. O macarrão caseiro também é servido nos caldos de shoyu e shio (sal).

Bem em frente ao Lamen Kazu fica o Espaço Kazu (R. Thomaz Gonzaga, 84, 3208-6179), maior e dos mesmos proprietários. Famílias lotam a cafeteria ao estilo japonês, enquanto um público mais jovem vai direto para o segundo andar do espaço, onde fica o Go!Go!Curry, uma franquia de fast-food sediada em Kanazawa, no oeste do Japão. Há uma franquia da rede na Times Square, em Nova York. “Importamos o curry de Kanazawa”, explica um funcionário. “Ele é mais escuro que o curry comum.” De fato, mais marrom que o curry japonês tradicional e mais doce que os curries da Índia, o curry de Kanazawa – carro-chefe do Go!Go!Curry – é perfeito: quentinho e substancioso, com costeleta de porco à milanesa.

A excursão pela culinária regional não estaria completa sem os pratos de Osaka, uma das maiores cidades do país e o paraíso dos gourmands. Quem tem estômago de aço deve ir direto ao básico Ueda (R. da Glória, 111, 2º andar, 3242-2080), no segundo andar do conjunto de restaurantes japoneses, conhecido simplesmente como Food Center, para experimentar o horumon-yaki (miúdos grelhados de carne bovina ou suína. O prato foi inserido na culinária japonesa principalmente pelos imigrantes coreanos em Osaka e significa, literalmente, “mercadorias descartadas”.

Para uma comida de Osaka mais light, a dica é o charmoso Izakaya Issa (R. Barão de Iguape, 89, 3208-8819, izakaya-issa.com), um diminuto gastrobar japonês onde os clientes sentam-se ao balcão ou tiram os sapatos para entrar em uma das três cabines. O local é um dos poucos lugares que servem duas das especialidades de Osaka: o okonomiyaki (panqueca frita japonesa) e tako-yaki (bolinhos fritos de polvo), ambos com flocos de bonito e raspas de nori (alga) seca.

Para sobremesa, os fãs de doce podem concluir o passeio com saquê e uma tigela de zensai quente (sopa de feijão azuki e bolinhos mochi, feitos de pasta de arroz) no veterano Kabura (R. Galvão Bueno, 346, 3277-2918). Aberto até 1h30 durante a semana, o bar garante um refúgio barulhento às ruas desertas da Liberdade, até bem depois que a maioria dos restaurantes já fechou.


Escrito por Sarah LeBaron von Baeyer
 

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