Dez cafés e restaurantes em museus e centros culturais

Conheça opções gastronômicas onde você também satisfaz sua fome por arte

Rodrigo Zrozi/Divulgação
Interior do Santinho
O Santinho é uma das atrações principais do Museu da Casa Brasileira

Um café incrível, que vem com um museu até que legal junto.” Esse slogan insolente, criado pela agência de publicidade Saatchi & Saatchi em 1988 para o Victoria & Albert Museum de Londres, usou uma pitada de eufemismo britânico para atrair visitantes ao museu e para chamar a atenção para a sua pródiga coleção de obras de arte e objetos de design.

O anúncio gerou controvérsia na época, com os membros do conselho em polvorosa por causa do tom que viam como excessivamente frívolo – a campanha também tinha frases como “Onde mais lhe dão £100 milhões em objetos de arte grátis em cada salada de ovos?” –, mas, desde então, ganhou espaço nos livros didáticos como um chamariz altamente bem-sucedido.

Um de seus aspectos menos comentados é a sugestão simples, quase subliminar, de que um dia no museu pode incluir a oportunidade de um almoço glorioso antes da visita, ou de tomar um chá da tarde prazeroso para digerir tudo o que você acaba de ver.

Pensando bem, não há um jeito melhor de apreciar a alta cultura do que misturá-la com um pouco do que você gosta, seja um simples cafezinho com bolo na Pinacoteca, com vista para os jardins do Parque da Luz, ou sorvendo coquetéis sofisticados no Chez MIS enquanto um dos eventos descolados do Museu da Imagem e do Som (MIS) acontece logo ao lado. O chá da tarde na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, no Morumbi, é um prazer um pouco mais distante, porém vale a viagem graças ao fascinante acervo de obras de arte, enquanto o bufê de almoço no MAM, no restaurante Pret, é outro dos favoritos do público dos museus.

Pavimentando o caminho para uma tendência que está prestes a decolar, o restaurante paulistano Capim Santo deu o pontapé inicial em janeiro de 2011, quando abriu uma filial de sua aclamada cozinha dentro do Instituto Tomie Ohtake, seguida por uma segunda dentro do Museu da Casa Brasileira. Na mesma pegada, há uma dupla de novos concorrentes na jogada, começando pelo novíssimo bar, atualmente em construção, no andar de cima do Sal Gastronomia, do outro lado do pátio da Galeria Vermelho. O bar de tema náutico, que deve abrir em outubro, vai se chamar Amiral Place e tem como um dos sócios o chef do Sal, Henrique Fogaça. Também está no horizonte a abertura de um restaurante ou bar dentro da Pivô, prevista para o começo de 2014, levando mais opções de arte com comida para um público deliciosamente eclético.

Flor Café | Santinho |  Citron | Salão de Chá | Chez MIS

Flor Café

Pinacoteca. Pça. da Luz, s/nº, Luz (3313-1583/ pinacoteca.org.br). Horário Ter. e qua., 10h-17h30; qui., 10h-17h30; sex. e sáb., 10h-17h30. 

Carla Oliveira/Divulgação

Localização é a palavra-chave no Flor Café, cafeteria com espaço ao ar livre situado na Pinacoteca, imponente museu de tijolos aparentes. Passe pelo ambiente escuro fechado e vá direto para o verdadeiro atrativo – o pátio de mármore preto e branco, onde mesinhas permitem que os visitantes contemplem o vizinho Jardim da Luz.

O parque público mais antigo da cidade é o paraíso para observar o movimento, cheio de detalhes curiosos como coretos, árvores centenárias de quando funcionava como jardim botânico, no século 18, e mais de 50 esculturas do acervo da Pinacoteca – sem falar nos personagens interessantes, como operários de obras cochilando no horário do almoço e uma legião mais velha de prostitutas em busca de um trabalho vespertino. A Estação da Luz, de estilo clássico britânico, também pode ser avistada por entre as árvores. Absorva a vista enquanto pede um cafezinho (R$ 3,50) e uma fatia de bolo (R$ 4). Também há almoços comuns: a lasanha (R$ 23,50) e salada de macarrão penne (R$ 27) são opções tragáveis.

Preços Pratos principais, R$ 23,50-R$ 35; cafezinho, R$ 3,50. 
 

Santinho

Museu da Casa Brasileira. Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.705, Jd. Paulista (3032-2277/ mcb.sp.gov.br). Horário Ter. a dom., 10h-18h.

Rodrigo Zorzi/Divulgação

Um dos poucos vestígios da opulência das residências do período do ciclo do café que restam na cidade, o Museu da Casa Brasileira ainda resiste na Avenida Faria Lima. Em total contraste com as torres de vidro que o cercam, o museu é uma mansão elegante que já foi a casa da rica família Prado, transformada em um espaço dedicado a mostras de design e arquitetura.

No horário do almoço, porém, a atração principal é mesmo a comida. O pessoal dos escritórios faz fila no novo restaurante Santinho para provar o prato especial do dia, como a moqueca de peixe, acompanhada de arroz com castanha de caju, farofa e coco, mais sobremesa (quinta-feira, R$ 49).

Ocupando a ala direita da casa e se abrindo para o tranquilo jardim dos fundos, o Santinho substituiu o restaurante Quinta do Museu. O novo estabelecimento é fruto da criatividade da chef Morena Leite, responsável pelo excelente restaurante brasileiro Capim Santo. Mas o bufê do Santinho não é barato – prepare-se para desembolsar R$ 43, durante a semana, ou R$ 69, aos fins de semana.

Faça o investimento valer a pena e prolongue o almoço, principalmente aos domingos, quando os jardins do museu recebem bossa nova ao vivo. Esqueça o relógio e não se apresse para ir embora também no Santinho original, localizado no térreo do icônico Instituto Tomie Ohtake, a poucos quilômetros de distância, em Pinheiros – onde é fácil passar a tarde conferindo a exposição que estiver em cartaz. Os dois endereços do restaurante fazem uso econômico das cores, nas cadeiras, nos aventais dos garçons e nas panelas fumegantes do bufê, em interessante contraste com as paredes brancas do museu.

Preços
 Ter. a dom., 10h-18h. Prato principal, R$ 49; bufê, R$ 43-R$ 69.

 

Citron

Centro Cultural Sao Paulo (CCSP). R. Vergueiro, 1.000, Paraíso (3203-0656/ centrocultural.sp.gov.br). Horário Seg. a sáb., 11h30-15h.

João Mussolin/Divulgação

são uma característica inconfundível do novo restaurante Citron, no primeiro andar do Centro Cultural São Paulo (CCSP), embora os vermelhos, verdes e amarelos berrantes das cadeiras de plástico evoquem mais uma creche do que um centro cultural. As mesas ficam dispostas sob uma cobertura curva e têm vista agradável para o jardim – uma ótima opção para dias ensolarados, mas pode ficar tranquilo, há mesas lá dentro para quando o tempo está ruim.

O Citron é um self-service por quilo (R$ 3,90 por 100g) e, embora não tenha nada da criatividade do Santinho, oferece um almoço perfeitamente satisfatório. Se você só quiser um café e um lanche antes de visitar o CCSP, o Citron também tem lanchonete, com boas opções como sanduíches e pão de queijo. Não se trata de uma programação por si só, mas é um bom pit stop enquanto se explora o espaçoso centro cultural – uma façanha arquitetônica impressionante, com vão aberto, passarelas suspensas, paredes com painéis de vidro e quatro andares que abrigam bibliotecas, espaço de exposições e um terraço incomum na cobertura, com gramado e tudo.

Preços Cafezinho, R$ 3,50; sanduíches, R$ 6,50-R$ 8,50.
 

Salão de Chá

Fundação Maria Luisa e Oscar Americano. Av. Morumbi, 4.077, Morumbi (3742-0077/ fundacaooscaramericano.org.br). Horário Ter. a dom., 10h-17h.

Amadeu/Divulgação


No mais remoto bairro do Morumbi fica a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano. Situada em um parque de 75 mil metros quadrados, ela é a antiga residência do engenheiro paulistano Oscar Americano, sua esposa Maria Luisa e seus dois filhos. A impressionante casa modernista, uma caixa branca de concreto, fica na beira de um morro suave; a parte de baixo, com colunas, leva a um pátio agradável e sombreado, onde o Salão de Chá serve lanches e chá da tarde.

Lugar tranquilo graças à localização remota, é ideal para uma escapada durante a semana. As mesas redondas espalhadas pelo espaço são ocupadas por famílias no fim de semana e lotam a cada duas semanas no domingo, quando a fundação abriga um recital de música clássica pela manhã. O chá da tarde, um tanto caro (R$ 55), é servido em xícaras de prata e em sofisticados aparelhos com guloseimas dispostas em três níveis. Ele pode ser saboreado a qualquer momento – embora seja bom fazer reserva. Uma aposta melhor é um dos lanches simples, como uma generosa fatia de quiche (R$ 25), um croissant (R$ 7) ou tostex (R$ 9). Se estiver a fim de um mimo, peça uma garrafa de vinho branco Carmen (R$ 30, 375 ml; R$ 60, 750 ml) e uma fatia de bolo caseiro (R$ 8,50).

Dentro da casa, você pode conferir a coleção de arte de Americano, de tamanho considerável e que inclui retratos da época do império, cerâmicas e obras de um dos modernistas brasileiros mais conhecidos, Candido Portinari. Não deixe de passar no estúdio do antigo morador: decorado com móveis de madeira, pinturas e a coleção de livros dele, é o único cômodo que ainda preserva o estilo da década de 1960, exatamente como Americano o deixou. O ingresso para a casa custa R$ 10, mas a entrada é gratuita no primeiro sábado de cada mês.

Preços Pratos principais, R$ 22-R$ 25; cafezinho, R$ 4; sanduíches, R$ 7-R$ 9.
 

Chez MIS

Museu da Imagem e do Som (MIS). Av. Europa, 158, Jd. Europa (3467-3441/ mis-sp.org.br). Horário Ter. a sex., 12h-15h e 18h-1h; sáb., 12h-2h; dom., 13h-0h.

Rudá Cabral/Divulgação

Vista para o jardim também é o destaque do Chez MIS – imperdível durante o dia, dada a peculiar localização do restaurante, dentro de uma caixa de vidro no meio dos jardins do Museu da Imagem e do Som (MIS). A decoração minimalista em preto e branco garante uma estética moderna que combina com o visual do museu, mas o ambiente é bem informal.

Durante a noite, as velas dão o clima – a cera acumulada forma esculturas na parede. Afunde-se em um dos dois sofás de couro ao lado da clientela hipster do Chez para estudar o cardápio, que consiste principalmente em saladas e sanduíches. Mas o restaurante também tem um especial de almoço nos dias de semana, com um aperitivo de minipolenta frita ou salada, uma entrada e sobremesa (R$ 35).

Na carta de bebidas e petiscos há algumas misturas originais como martíni de melancia (R$ 22-R$ 37) e daiquiri de mel envelhecido (R$ 27), e outras mais tradicionais e recentes, como pisco sour (R$ 27), que pode ser saboreado enquanto se beliscam chips de presunto Serrano (R$ 24) ou tartar de salmão na torrada (R$ 28).

Preços Pratos principais, R$ 32-R$ 109. 


E tem mais...

  • Pret do MAM Escolha o bufê de preço fixo e aproveite a vista do Parque do Ibirapuera pelo vidro. Parque do Ibirapuera, portão 3, V. Mariana (5085-1306/ mam.org.br/visite/restaurante).
  • Il Pastaio Pan Aroma Café na Casa das Rosas O café é uma joia escondida na Avenida Paulista, localizado atrás de uma de suas mais antigas mansões. Av. Paulista, 37, Bela Vista (3289-8897/ ilpastaio.com.br).
  • Uni no MASP Excelentes almoços por quilo no andar de baixo do museu. Av. Paulista, 1578, Bela Vista (3253-2829).
  • CCBB Em um dia de sol, escolha uma mesa no ambiente do lado de fora deste magnífico centro cultural. R. Álvares Penteado, 112, Centro (3113-3651).
  • Sal Gastronomia na Galeria Vermelho Refeições gostosas no pátio da excepcional galeria de arte. R. Minas Gerais, 352 Consolação (3151-3085/ salgastronomia.com.br)

Escrito por Anna Fitzpatrick e Catherine Balston
 

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