Feijoadas para não perder

Saiba onde comer um de nossos pratos mais típicos

Divuilgação
A premiada feijoada do Bolinha é uma das mais variadas, e caras, opções da cidade

Quarta e sábado são os dias em que cumbucas cheias de linguiça, feijão preto e pedaços de porco que vão da cabeça ao rabo borbulham por horas a fio, de norte a sul do país. São os dias tradicionais de comer feijoada – uma das poucas comidas típicas que podem ser chamadas de nacionais no Brasil, onde as culinárias regionais são tão diversas quanto as origens de suas populações.

A conhecida combinação do ensopado escuro e saboroso de carnes com arroz, farofa douradinha, fatias de laranja e um monte de couve verdinha, torna o prato colorido, variado e equilibrado. No entanto, suas origens dividem opiniões: a crença popular diz que a receita foi inventada pelos escravos afro-brasileiros, que teriam colocado diferentes restos de comida no caldeirão de feijão preto. A história, por outro lado, sugere que o prato é derivado da receita portuguesa de mesmo nome, que leva feijão branco. A verdade pode ser uma combinação das duas.

Há consenso, porém, sobre como a feijoada deve ser saboreada: devagar, em boa companhia, ao longo da tarde. O ritual deve ser iniciado com uma cerveja gelada e encerrado com uma dose de cachaça, em um lugar querido. E, em um mundo ideal, com alguém que tenha feito todo o trabalho pesado: a preparação da feijoada é a epítome da slow food, pois envolve – se feita do modo tradicional – dessalgar as carnes e deixar o feijão de molho durante a noite, e depois deixá-la horas fervendo antes de ser servida. No topo da escala, os estabelecimentos mais sofisticados cobram preços altos por suas feijoadas.

O Dinho’s (Al. Santos, 45, V. Mariana, 3016-5333, dinhos.com.br), famoso pelos filés, substitui o menu por feijoada (R$ 96) às quartas e aos sábados, com um bufê de saladas e antepastos ao lado das panelas fumegantes. No Beth Cozinha de Estar (R. Pedroso Alvarenga, 1.061, Itaim Bibi, 3073-0354), restaurante que só funciona no almoço, as saladas criativas são uma das grandes atrações para acompanhar a feijoada de quarta e sábado (R$ 53 e R$ 68, respectivamente), colocada em panelas diferentes para que os clientes escolham os pedaços de linguiça e carne que quiserem – é uma boa alternativa para quem sente repulsa pelas carnes ‘da cabeça ao rabo’ (orelhas, língua e outros miúdos), que tradicionalmente são o padrão.

Ali perto, no Bolinha (Av. Cidade Jardim, 53, Jd. Europa, 3061-2010, bolinha.com.br), a feijoada não sai barata (R$ 98, de segunda a sexta, e R$ 116 aos finais de semana e feriados) – mas ela é servida em todos os dias da semana, e não só no almoço. Quando se trata de qualidade, este é um dos melhores lugares. A versão do restaurante é servida na mesa e vem acompanhada de bisteca de porco, costelinhas e pernil, além de bacon, linguiça, banana empanada, couve, arroz e laranja.

Na ponta mais modesta da lista, você encontra uma abundância de bares e restaurantes animados, cheios de personalidade, onde a feijoada anda de mãos dadas com uma caipirinha e, muitas vezes, com um pouco de samba, abastecendo os baladeiros para a noite. Desaperte o cinto, libere a sua agenda e descubra a seguir alguns dos lugares mais divertidos para se saciar.
 

Bar do Betinho

Rua Wisard, 264, V. Madalena (3813-4037/ bardobetinho.com.br)

Um lugar de família, realmente, com o avô Betinho cuidando das caipirinhas no balcão, o filho Betinho comandando a cozinha e o neto Ricardo administrando todos os aspectos do negócio. O Bar do Betinho arrisca afirmar que serve a melhor feijoada na agitada Vila Madalena e, a julgar pela multidão que se vê às quartas e sábados, deve ser verdade.

Praticamente uma instituição, o Bar do Betinho serve chope gelado desde 1952, introduziu a opção de almoço em 1988 e, no mês passado, mudou-se para um espaço maior, do outro lado da rua. Com muito pouco do ambiente caseiro original, o novo lugar ocupa dois andares, com decoração temática de bicicleta – o Betinho mais jovem é entusiasta e blogger de ciclismo – com direito a corrimãos feitos de quadros de magrelas, o que deixa o lugar esparso um pouco mais interessante. A receita de feijoada da família, no entanto, continua boa como sempre.

Ao cozinhar lenta e separadamente o feijão e as carnes, Ricardo diz que consegue tirar mais gordura do que as feijoadas concorrentes, resultando em uma refeição mais leve e que provoca menos letargia. Mas a receita não é a única coisa que faz valer a fila: não perca a mandioca frita – pedaços crocantes por fora e que derretem por dentro (R$ 18, ou inclusa no preço por pessoa aos sábados). Horário Seg. a sex., 11h30-15h; sáb., 12h30-17h. Feijoada R$ 31,70 (qua.), R$ 45,90 (sáb). 
 

Genuíno

Rua Joaquim Távora, 1.217, V. Mariana (5083-4040/ genuinochopp.com.br)

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Rodeado por bares e restaurantes em uma rua movimentada da Vila Mariana, o Genuíno atrai um público jovem com sua feijoada servida aos sábados. A combinação de música ao vivo – a mesma banda, Varanda Paulista, toca MPB e chorinho aos sábados ali há mais de 12 anos – ambiente verde com mesas no jardim dos fundos em meio a bambus, samambaias e ipês, e a excelente feijoada são estímulos para os grupos passarem a tarde. O teto retrátil garante que o banquete prossiga, faça sol ou faça chuva.

A carne suína é fornecida pelo Mercado Municipal; a preparação dela começa na segunda-feira e o cozimento lento, na quinta. O resultado é um caldo delicioso e nutritivo. Uma cabeça de porco pode até coroar a mesa do bufê, mas você não encontrará nenhum miúdo na feijoada – os cortes magros, assim como as linguiças, são servidos em panelas diferentes. Para beber, peça chope Brahma (R$ 6,90) ou sirva-se das batidas por conta da casa para completar o banquete – canequinhas com coquetel cremoso de fruta e cachaça. Horário Seg. a sex., 17h30-1h; sáb. e dom., 12h-1h. Feijoada R$ 59,80; prato principal, R$ 28-R$ 82,50; couvert, R$ 12 (sáb. e dom.).  
 

Bar do Giba

Avenida Moaci, 574, Moema (5535-9220)

Diz a lenda que os cariocas que se mudam para São Paulo tendem a morar no bairro de Moema, na zona sul. Assim, eles ficam a um pulo do aeroporto de Congonhas e podem se retirar rapidamente para as praias de casa assim que chega o fim de semana. Mas há um motivo para ficar por aqui, e ele pode ser encontrado bem no coração de Moema. O Bar do Giba é um boteco com o mesmo clima descontraído e a mesma feijoada perfeitamente temperada encontrada nos locais mais populares para a receita no Rio, tais como o Bar do Mineiro, em Santa Teresa, e a Academia da Cachaça, no Leblon.

O carismático Giba abriu seu bar em uma esquina tranquila nos idos de 1987 e o montou como uma mercearia tradicional, com garrafas, fotos e memorabilia de futebol enfeitando as paredes. Não existe menu, apenas sugestões rabiscadas em lousas, e você só descobre os preços se perguntar. A feijoada é servida aos sábados, e é preciso chegar assim que o lugar abre (13h) para conseguir uma mesa na rua. Se encontrar fila, comece pedindo os excelentes pastéis mistos (R$ 45,60, 12 unidades) – pasteizinhos fritos recheados com carne, queijo, palmito cremoso ou camarão, com um toque de tempero baiano.

A feijoada completa por R$ 108 parece ser abusiva, mas é generosa; a cumbuca de carnes e feijão serve facilmente três ou quatro pessoas, embora os acompanhamentos de arroz, farofa, couve, laranja, bisteca e banana frita mal deem para duas. Porções extras de arroz podem ser pedidas por R$ 12. Se você acabar ficando a tarde toda, o garçom talvez traga uma garrafa de cerveja como saideira por conta da casa. Horário Ter. a sex., 17h30-1h; sáb., 13h-1h; dom., 12h-19h. Feijoada R$ 108.
 

Feijoada da Lana

Rua Aspicuelta, 421, V. Madalena (3814-9191)

Dispensando o protocolo de duas vezes por semana, você pode comer feijoada todos os dias da semana nesse lugar sem frescura da Vila Madalena – uma casinha onde as melhores mesas ficam do lado de fora, no quintal claro, coberto e cheio de plantas.

Uma feijoada mais leve é servida durante a semana (R$ 37), enquanto que, aos fins de semana, o preço sobe para R$ 60, com alguns extras acrescentados, incluindo caipirinhas à vontade (o aspecto ‘à vontade’ é melhor se abordado com prudência) – uma versão mais aguada da mistura de cachaça, açúcar e limão, servida em jarras no balcão. Mandioca frita e caldinho de feijão também são servidos no fim de semana. Como entrada, não deixe de provar o caldinho. Sirva-se de uma caneca e jogue temperos como alho cru picado, cebolinha e fatias de pimenta dedo-de-moça. E encha um prato de torresminho no caminho para a mesa.

O serviço é o de self-service, com farta oferta. A feijoada ocupa o palco principal, com caldeirões de barro fumegantes, cada um com um ingrediente diferente (como costela, orelha, linguiça ou lombo) e todos cercados pelos acompanhamentos necessários – se você quiser ir com os amigos, mas não estiver a fim de feijoada, também há opções à la carte.

No cenário improvável de ter restado algum espaço no estômago, sirva-se no bufê de sobremesas típicas brasileiras, inclusas no preço, tais como pudim de leite e quindim – desde que você aprecie o altíssimo teor açucarado desses doces. Horário Seg. a sex., 12h-15h30; sáb. e dom., 12h-17h30. Feijoada R$ 37-R$ 60; prato principal, R$ 23-R$ 33.
 

Maní

Rua Joaquim Antunes, 210, Jardim Paulistano (3062-7458/ manimanioca.com.br)

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Com cada vez mais comidas caseiras ganhando roupagem contemporânea em São Paulo, não é surpresa descobrir que a feijoada já entrou nessa onda. No premiado Maní, a mesma abordagem criativa do cardápio é aplicada à ‘feijoada desconstruída’ – prato em que carpaccio de pé de porco é servido com esferas de feijão preto, cubinhos de laranja, couve frita e farofa de farinha de mandioca. R$ 40. Horário Ter. a qui., 12h-15h e 20h-23h30; sex., 12h-15h e 20h30-0h30; sáb., 13h-16h e 20h30-0h30; dom., 13h-16h30.


Escrito por Juan Cifrian, Catherine Balston e Marina Monzillo
 

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