Time Out São Paulo

Jacarandá

Culinária rural faz desse restaurante uma espécie rara

Jacarandá

Preço de R$ 39 até R$ 65

Horário de abertura Seg a sex., 12h-15h, 19h-0h; sáb. e dom., 12-0h

Rua Alves Guimarães, 153, Pinheiros

Telefone 3083-3003

Se você não prestar atenção, vai caminhar pela Rua Alves Guimarães mil vezes e deixar passar batido o Jacarandá. O restaurante, nascido em novembro de 2012, tem alma discreta, quase matuta, com suas paredes terracota claras que escondem um charmoso quintal estendido.

Nos fundos do terreno, onde foi construído o ambiente do restaurante, está a árvore entronizada, como uma joia em uma caixa de vidro – um pequeno jardim de inverno, por onde uma luz ambiente preenche o espaço já bem arejado.

Entrar no quintal do Jacarandá é como fazer uma viagem para uma roça que já existiu em alguma das muitas vidas passadas da cidade. Em um caminho de tijolos envolto por pedrinhas, uma venda dá as boas-vindas. O casebre milimetricamente arquitetado parece ter a melhor das curadorias da roça: ali estão pacotes das balas caseiras de doce de leite na palha com gostinho de infância, embalagens dos cafés especiais da fazenda, com a marca Coffee Lab, doce de leite argentino, queijo da Canastra e goiabada de São Gonçalo de Minas.

Seguindo adiante, nos fundos está o restaurante aconchegante, que soube escolher o mínimo necessário para compor a decoração do lugar – um alento para quem não aguenta mais os ambientes coxinhas que se alastraram como cupins pelos restaurantes da cidade.

Pães fresquinhos, com miolo macio e casquinha crocante, mais o combo manteiga cremosa + jarrinha de azeite + sal marinho, foram oferecidos como couvert – e aceitos pelo grupo. Mas também resolvemos pedir o duo de empanadas (R$ 10), uma de queijo e outra de carne. Estavam gostosas, bem recheadas, com um tempero suave que não pesou depois.

Com um cardápio enxuto de apenas dez pratos, o momento da escolha pode ser mais focado: pedimos a costela de porco com batata doce assada (R$ 51), de carne tenra e saborosa. Em um primeiro olhar, o acompanhamento (as batatas) parecia pouco para a composição do prato – mas não era.

Também escolhemos bife de chorizo grelhado com abóbora assada em redução no molho de carne (R$ 65), apenas correto, sem deixar lembranças marcantes, e a famosa lasanha de abóbora, espinafre e queijo da Canastra (R$ 39). Embora o sabor da abóbora tenha sido tomado pelo do espinafre, o prato estava delicioso, crocante por fora (com o gratinado) e cremosa por dentro, com um delicioso molho de tomates de zero acidez. Há ainda opções de omelete, como o à milanesa com bacalhau e grão-de-bico (R$ 12) para um lanche leve.

Na próxima vez – e certamente haverá uma próxima vez – provaremos sem falta.
Para a sobremesa, experimentamos o bolo de chocolate com nata (R$ 12), divino, cremoso e doce na medida certa – nem muito nem pouco. Pedimos ainda o pudim de queijo da Serra (R$ 15), mas a delícia mais marcante foi, sem dúvida, o pudim de dulce de leche (R$ 12), realmente imperdível até para os menos amantes do doce.

Mas a experiência toda não precisa se limitar ao ambiente do restaurante. No começo do ano, os donos decidiram investir em um espaço de happy hour: o Tatu Bar & Palco, que fica no subsolo. A placa preta colocada no muro lá da entrada, logo abaixo do ‘Jacarandá’, é desnecessária, não orna e confunde. Mas logo se dá um desconto, já que o espaço, com décor classudo de pegada underground, com sofás de couro que margeiam as paredes e um palquinho em que se quer subir e cantar algo bem sexy, é mais um desses cantos que a cidade tem sede por receber.

Escrito por Evelin Fomin
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