Time Out São Paulo

Pedro e o Capitão

Texto do uruguaio Mario Benedetti reflete sobre o passado de repressão e alcança o presente

Este evento terminou

Pedro e o Capitão

R$10

Data 15 Jan 2014-19 Jan 2014

Horário de abertura Qua. a sáb., 20h; Dom., 19h.

Rua Álvares Penteado, 112, Centro

Telefone (11) 3113 3651

Estações próximas
1, Sé

2013: o ano que não acabou. O ano que levou às ruas uma expressão estancada na sociedade brasileira, quem sabe, herança de um inconsciente coletivo ainda carregado das forças sombrias de um estado de opressão que teve seu ápice em 1968.

Sim, falo da ditadura militar, mas falo também de uma opressão reprimida que foi se arrastando e eclodiu anos depois em alguns tristes estragos de confrontos de uma sociedade defendida pela bandeira da democracia que não protegeu estudantes, fotógrafos e jornalistas.

É por isso – e muito por isso – que a peça Pedro e o Capitão, escrita em 1979 pelo uruguaio Mario Benedetti, transpira uma atualidade quase palpável. Ter 29 anos, a exemplo do ator Fernando Belo, ou ter 39 é sinônimo de distanciamento do assunto. Mas ter vivido o ano de 2013 é o contrário, seja lá qual tenha sido a sua visão a respeito dos conflitos.

No palco, o texto inédito, delicado e inteligente de Benedetti revela progressivamente um Estado opressor na figura do Capitão (Kiko Vianello), um oficial da inteligência militar. Nada se vê – a violência física é imaginada e apresentada em quatro níveis diferentes, distribuídos em quatro atos. A cada cena, Pedro (Fernando Belo), o militante, progride no desenvolvimento da tortura, e dois personagens que aparentemente nada têm em comum, vão se confundindo com suas incoerências e humanidades também progressivamente, distanciando-se nas escolhas ao longo da jornada.

Longe de ser derrotista, a obra de Benedetti propõe uma reflexão profunda sobre o período por meio do batido conceito de que ao se caminhar adiante com eficiência e evolução, é necessário que o passado não seja esquecido e sobrepujado. O conceito é batido, fato. Na prática, ele nunca foi tão novidade.

Escrito por Evelin Fomin
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