Time Out São Paulo

Pornô - Falcatrua Nº 18.633

Baseada em texto de Irvine Welsh, a peça ganha clima de cabaré

Sexo mais drogas mais rock’n’roll mais personagens absolutamente inconsequentes é a antiga somatória que ainda sustenta o conteúdo da literatura, do cinema e, a exemplo da peça Pornô - Falcatrua Nº 18.633, também do teatro. O espetáculo dirigido por Gustavo Machado adapta o romance homônimo de Irvine Welsh, um dos autores mais representativos da Chemical Generation ("geração química", em tradução literal), nome dado ao grupo de escritores da década de 1990 na Grã-Bretanha. O filme Trainspotting, um clássico do período, por exemplo, é baseado em livro de Welsh, uma obra-ícone que retrata a vida junk britânica.

Assim como no longa de Danny Boyle, Pornô - Falcatrua Nº 18.633 sintetiza um universo hostil, pincelado de niilismos e alienações, com personagens egoístas e pouco afáveis alinhando vidas viciosas a desfechos trágicos - ou quase. Dessa vez, o sexo aparece em primeiro plano, embora as drogas ainda determinem boa parte de uma ambientação desvairada.

A exemplo do livro, a peça retrata o reencontro dos personagens de Trainspotting dez anos depois. Mas a narração segue para um ponto distante, que independe da obra inicial. Sick Boy, antes um coadjuvante, vivido no filme pelo ator Jonny Lee Miller, agora é protagonista. Ele retorna para Edimburgo com a intenção de rodar um filme pornô.

A adaptação para o teatro, assinada por Eduardo Ruiz, procura fidelidade com o fio narrativo original. Limita-se apenas a eliminar as referências regionalistas, como citações de lugares específicos da capital escocesa. “Queríamos uma versão que pudesse estar em outras cidades do mundo”, diz Machado.

Assim como na curta temporada que cumpriu no ano passado, o espetáculo é apresentado não em um teatro, mas em uma casa noturna, no recém-reinaugurado Studio SP da Vila Madalena (leia mais em Noite). A plateia é posicionada em bancos independentes, que ocupam o centro da sala. A encenação se estilhaça por todo o espaço, muitas vezes bem próxima ao espectador, o que possibilita uma transição inequívoca entre estilos de interpretação: do naturalismo ao expressionismo exacerbado.

"A relação com a plateia é típica de cabaré", justifica o diretor. Se há mudanças, portanto, elas foram determinadas em função da ocupação desse espaço. "Agora, as cenas estão mais concentradas e acontecem ainda mais perto do público", conta Machado, saudoso do espaço anterior, no Clube Vegas, cujos néons faziam boa composição com o espetáculo.

O elenco é composto por sete atores jovens e experientes, tão afinados entre si que parecem pertencer a uma mesma companhia de teatro. Da formação inicial, apenas dois foram substituídos. O talentoso Sergio Guizé ainda é quem interpreta Sick Boy. O ator dá um show à parte, na composição de um viciado sem grandes escrúpulos.

Preste atenção também à trilha, organizada por Zerna e Ravel Cabral especialmente para a peça. Após o espetáculo, os 80 espectadores podem continuar na balada, em meio a outros sons.

Studio SP Vila Madalena, R. Inácio Pereira da Rocha, 170, Vila Madalena, 11 3032-4279. Qui., 22h. R$ 35 (nome na lista pelo e-mail studiospvila@studiosp.org), R$ 50 (na porta). 60 min. 18 anos. Até 22/12.

Escrito por Gustavo Fioratti
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