Time Out São Paulo

Um corte brasileiro para Hair

Cláudio Botelho e Charles Möeller adaptaram o clássico hippie para o Brasil

Os musicais brasileiros conquistaram nível internacional nos últimos anos, em parte por causa do trabalho de Cláudio Botelho e Charles Möeller. Esses diretores já produziram ou coproduziram mais de vinte espetáculos do gênero. Portanto, vale anotar: a dupla traz ao teatro do Shopping Frei Caneca, a partir do dia 13, uma leitura nacional de Hair, um dos musicais mais celebrados de todos os tempos. O espetáculo tem previsão de ficar em cartaz até 29 de abril.

A peça original, com música de Galt MacDermot e letras de James Rado e Gerome Ragni, estreou em 1968 no circuito off-Broadway. Apenas um ano depois já era febre americana, levando o espetáculo ao topo das peças mais vistas no roteiro oficial da Broadway.
Em 1979 veio a versão para o cinema, com Treat Williams, John Savage e Beverly D’Angelo e dirigida por Milos Forman (Um Estranho no Ninho, Amadeus, O Mundo de Andy).

Já em 2009, a peça foi remontada em Nova York, em comemoração a seus 40 anos. E a releitura brasileira tem pontos em comum com essa última versão americana. “Procuramos deixar o clima de celebração, de ritual, que existe na recente montagem”, diz Charles, que assina a direção dessa versão do espetáculo. Cláudio, seu parceiro na empreitada, é o responsável pelo texto em português.

A diferença principal são as adaptações de regionalismos. “Cortamos alguns trechos de texto e música que eram muito referentes à cultura ou à história norte-americana”, conta. “Mesmo assim, procuramos não tirar o contexto histórico da Guerra do Vietnã, até porque Hair usa esse conflito específico para falar do horror da guerra, da segregação, da falta de tolerância, da homofobia etc.”

Para o diretor, o texto permanece atual, uma vez que “ainda vivemos conflitos parecidos e tão assustadores como os do Vietnã”. Como exemplo, ele cita o Oriente Médio como novo campo de atrocidades similares ao pano de fundo da peça original.

A orquestração original também foi mantida, e a seleção de elenco procurou tipos magros e cabeludos para preservar o clima hippie.

O grupo forma uma tribo de rebeldes que se posiciona contra os preceitos morais da velha ordem mundial. A principal luta é contra o alistamento para a guerra. Mas também se posicionam a favor do amor e sexo livres, por um basta no capitalismo selvagem e por uma reaproximação com a natureza, entre outros fundamentos hippies.

O ator Hugo Bonemer interpreta Claude, o protagonista da trama. Ele precisa decidir entre rasgar seu cartão de alistamento, como fizeram seus parceiros de causa, ou permanecer na velha doutrina imposta pelos familiares e, assim, tornar-se também um soldado.

As coreografias são totalmente originais, “assim como o cenário, o figurino e a concepção do espetáculo”, diz Charles. Ele ressalta ainda que essa é uma versão original feita por brasileiros e não um espetáculo trazido em forma de “franchising”.

Cláudio e Charles fazem espetáculos musicais desde os anos 1990. Em 2010, a versão da dupla para O Despertar da Primavera, baseado na obra do dramaturgo alemão Frank Wedekind, recebeu quatro indicações ao prêmio Shell, um dos principais do país na área teatral, inclusive nas categorias “melhor direção”.

Hair já cumpriu temporada no Rio de Janeiro, onde foi premiado com um Shell, pelo figurino de Marcelo Pies. Vá de cabelo solto. 

Hair – Teatro do Shopping Frei Caneca, R. Frei Caneca, 569, Consolação, 11 3472-2226. Qui., 21h; sex., 21h30; sáb., 18h e 21h30; dom., 18h. R$ 130 (qui. e sex.) e R$ 160 (sáb. e dom.). 130 min. 14 anos. Estreia, 13/1.

Escrito por Gustavo Fioratti
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