Cantando com emoção

Indicamos quatro musicais estreantes para ajudar você a escolher por onde começar

Divulgação/Caio Gallucci

Priscilla, A Rainha do Deserto | Um Violinista no Telhado |
Tim Maia – Vale Tudo | A Família Addams

Então não se trata da Broadway ou do West End, é verdade. Mas a cena dos musicais de São Paulo ficou tão à vontade por aqui que já contabiliza uma década de temporadas bem-sucedidas. Só neste mês, o gênero está tão fértil que você poderá assistir a pelo menos seis espetáculos. E com datas que se estendem até julho.

Há opções para todos, desde franquias internacionais, como Priscilla, Rainha do Deserto, até espetáculos nacionais, como Tim Maia – Vale Tudo. “A cena cresceu na última década”, diz João Fonseca, diretor da produção sobre o ícone da música black brasileira. “Isso quer dizer que o público ainda está se acostumando com esse tipo de produção.”

A explosão dos musicais no Brasil não significa apenas uma educação para o público, mas também para os profissionais, avalia o diretor. “No começo, era muito difícil encontrar bons profissionais que pudessem cantar, dançar e atuar ao mesmo tempo. Mas hoje em dia, a parte difícil é escolher o nosso elenco no meio de tanta gente talentosa”, acredita.

À frente de uma das poucas produções 100% brasileiras em cartaz, Fonseca vê um quê de Brasil mesmo em espetáculos franquiados. “Ainda que a gente estude a história do musical americano, nossos espetáculos têm outro tipo de movimentação, têm o nosso sotaque”, afirma. ‘“Mas ainda estamos descobrindo como expressar nossa música e nossa cultura por meio dos musicais.”

Priscilla, A Rainha do Deserto

Tristram Kenton/Divulgação
 
 ‘Priscilla’ vem de Sidney, mas o tratamento especial é da equipe brasileira


A produção tem números tão grandiosos quanto os saltos de uma drag queen: 200 perucas, 500 figurinos, 23 toneladas de cenário e ainda um ônibus de oito toneladas. Baseado no filme australiano de 1994, o musical conta a história de três drags que saem de Sidney para fazer um show em uma cidadezinha no meio do deserto australiano. Hinos como ‘I Will Survive’ e ‘It’s Raining Men’ fazem parte do espetáculo e não deixam o pé parado para contar história.

‘Priscilla’ é um pouco diferente dos outros musicais internacionais que desembarcam no país, já que ele não nasceu na Broadway, mas em Sidney. Por isso, o desafio de tornar a história palatável para o público brasileiro foi maior ainda, de acordo com Flávio Marinho, que o traduziu e adaptou.

“Eu tive de encontrar equivalências internacionais para algumas referências totalmente australianas, que às vezes me deixavam pesquisando a tarde inteira para entendê-las”, conta. Outras angústias eram causadas pelo idioma. “Não conseguimos aproveitar nenhuma das piadas com ‘queen’ [rainha em inglês, mas também uma referência às drag queens] porque elas não fariam sentido algum em português.” Teatro Bradesco, R. Turiassu, 2.100, Pompeia, 3670-4100. Qui. e sex., 21h; sáb., 17h e 21h; dom., 16h e 20h. Estreia em 17/3. R$ 40-R$ 250. 150 min. Livre. Até 16/12.

Um Violinista no Telhado

Guga Melgar/Divulgação
O ‘Violinista’ tem Zé Mayer em papel inesperado
 

A estrelada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho é responsável pela versão brasileira desse espetáculo da Broadway que conta a história do leiteiro Tevye, um judeu que vive na gélida Rússia czarista com cinco filhas e constantes ameaças de ser expulso da região por conta de sua religião. Diferentemente das franquias, o duo toma as produções internacionais apenas por base. “O nosso Violinista não tem absolutamente nada a ver com o original”, afirma Möeller. “Os cenários, os figurinos e até o tipo de concepção são totalmente diferentes.”

Mesmo a escolha do elenco, que tem José Mayer no papel principal, foge do esperado. As filhas de Tevye são interpretadas por meninas de idades entre 15 e 18 anos, e não atrizes adultas como as que as da montagem de Nova York. Teatro Alfa, R. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, 5693-4000. Qui., 21h; sex., 21h30; sáb., 17h e 21h; dom., 17h. Estreia em 22/3. R$ 40-R$ 230. 130 min. 5 anos. Até 15/7.

Tim Maia – Vale Tudo

Nem franquia nem adaptação. A montagem é uma produção 100% nacional. Conheça um pouco sobre a vida do cantor e compositor Tim Maia, uma das figuras musicais brasileiras mais famosas, e controversas, autor de hits como ‘Vale Tudo’ e ‘Do Leme ao Pontal’. Sua imensa figura (Tim pesava 140 quilos quando morreu aos 55 anos, por paradas cardiorrespiratórias em 1998) era sinônimo de festa e irreverência, e foi isso que a produção tentou traduzir por meio do musical.

Tiago Abravanel, de 23 anos, tem a responsabilidade de interpretar o protagonista. Apesar da pouca idade, ele teve a performance aclamada durante a temporada no Rio de Janeiro. “Quando vi o Tiago na audição, fiquei impressionado”, admite o diretor. “O fraseado, a expressão, a voz... O Tim já estava ali.”  Teatro Procópio Ferreira, R. Augusta, 2.823, Consolação, 3083-4475. Qui., 21h; sex., 21h30; sáb., 21h; dom., 18h. Estreia em 9/3. R$ 50-R$ 150. 160 minutos. 14 anos. Até 24/6.

A Família Addams

João Caldas/Divulgação
Marisa Orth e Daniel Boaventura juntos pela primeira vez


Claudio Botelho, dessa vez sem Möeller, assina a versão brasileira do musical da triste e assustadora família Addams. O espetáculo brasileiro, a primeira adaptação do original, seguiu sua franquia e é idêntico ao da Broadway, apesar das músicas traduzidas e adaptadas. Vandinha, a filha mais velha dos macabros Gomez e Morticia, se apaixonou por um bom moço de família tradicional e está enchendo sua família de desgosto. O elenco conta com Daniel Boaventura, já veterano dos musicais, com Chicago e Evita no currículo, e a atriz Marisa Orth. Teatro Abril, Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411, República, 4003-6464 (Tickets For Fun). Qui. e sex., 21h; sáb., 17h e 21h; dom., 16h e 20h. Estreia em 2/3. R$ 70-R$ 250. 135 min. Livre. Até 30/11.

Escrito por Alice Rangel
 

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