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Novo na área

Teatro Geo, o primeiro grande de Pinheiros

Se há uma região a ser considerada “a do teatro” em São Paulo, não seria leviano apontar a Praça Roosevelt. A questão é que em nossa imensa cidade, dizer que só é possível ir ao teatro em uma única área é limitar por demais a cena dramatúrgica paulistana. A boa notícia é que Pinheiros (e, por proximidade geográfica, vamos incluir a Vila Madalena como parte disso) também poderá ser lembrado como um desses lugares: o bairro acaba de ganhar seu primeiro grande teatro, tornando-se o maior dentre os que funcionam na região há algum tempo (leia abaixo).

O Teatro Geo, da produtora de eventos de mesmo nome, foi estabelecido em um dos prédios mais icônicos do bairro, o Tomie Othake, e teve sua estreia no dia 30 de março. Tem capacidade para receber até 627 pessoas em uma área de mais de 3 mil m².

Responsável pelo festival Lollapalooza e pelo musical Priscilla, Rainha do Deserto, a Geo será a administradora do espaço, com programação feita em parceria com a americana Base Entertainment, que já participa de Priscilla. O objetivo principal é receber grandes espetáculos nacionais e internacionais, expandindo-se para além da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, na região central da cidade, outro miniconglomerado de bons teatros na cidade. “O ambiente [arquitetônico] permite uma proximidade do público com o palco, ou seja, o espectador sempre estará em um lugar privilegiado”, diz Leonardo Ganem, diretor-geral da Geo Eventos.

Tal proximidade serve bem ao artista plástico Mark Rothko, personagem principal da peça Vermelho, que batiza o novo palco na mesma data. O pintor acreditava que suas obras deveriam ser observadas a partir de uma distância e sob uma luz predeterminadas por ele, que variava de quadro para quadro.

Jorge Takla, conhecido por musicais como West Side Story e My Fair Lady, é o diretor da montagem, com Antônio Fagundes e seu filho Bruno como protagonistas, e parece satisfeito com o novo lugar que, segundo ele, tem estrutura acima da média na cidade. O cenário grandioso, que reproduz o galpão onde Rothko criava, foi desenvolvido especialmente para o Geo e, diz Takla, não seria possível em um lugar menor: o teatro tem pé-direito de 14 metros e boca de cena de 13 metros. Mas nem por isso o nervosismo é menor, ao contrário. “Sempre dá um pouco de medo, já que a gente ainda não sabe se o público virá, não sabe se conhece o lugar”, diz o diretor. “É desgastante lidar com aspectos técnicos e logísticos de um lugar novo junto com uma estreia, mas ao mesmo tempo, também é motivante e todos estão trabalhando para que tudo dê certo”, avalia.

Vermelho foi inspirada em Red, produção da Broadway vencedora de seis Tonys, que apresenta a história de Rothko e seu assistente, Ken. Foi Antônio Fagundes, que também acumula a função de produtor, quem abordou Takla sobre o projeto. Amigos há mais de 30 anos, o diretor nem pestanejou antes de dizer sim. O texto original de John Logan (indicado ao Oscar 2012 de melhor roteiro por A Invenção de Hugo Cabret) foi traduzido ao pé da letra, embora os cenários, figurinos e a dinâmica tenham sido feitos especialmente para a adaptação brasileira de Takla.

A simbiose entre mestre e aprendiz é encenada por pai e filho, mas ambos garantem que o parentesco não afeta o trabalho. “Não há confusão entre o pessoal e o palco, até porque os personagens são muito diferentes de nós”, garante Fagundes. Bruno, de 22 anos, admite que esse é o maior papel de sua carreira. “Acho que qualquer ator da minha idade sentiria a responsabilidade de viver o Ken”, afirma. “O fato de eu contracenar com o meu pai não muda nada disso.”

R. Coropés, 88, 3728-4930, Pinheiros. Qui., 21h; sex., 21h30; sáb., 21h; dom., 18h. R$ 100-R$ 120. 80 min. 12 anos. Estreia, 30/3. Até junho.


Outros palcos em Pinheiros

Teatro Cultura Inglesa R. Dep. Lacerda Franco, 333, 3814-0100. culturainglesasp.com.br
Desde: 1983.
Em cena: Neste palco, autores britânicos têm destaque, com espetáculos escolhidos por meio do Cultura Inglesa Festival.

SESC Pinheiros R. Paes Leme, 195, 3095-9400. sescsp.org.br/pinheiros.
Desde: 2004.
Em cena: Uma curadoria de qualidade é realizada neste Sesc, que traz grandes nomes nacionais, como a diretora Gerogette Fadel, e estrangeiros, como Peter Brook.

Viga Espaço Cênico R. Capote Valente, 1.323, 3801-1843. viga.art.br
Desde: 2003.
Em cena: O lugar é pequeno e intimista, com espaço para até 90 pessoas e programação que varia entre teatro e dança.

Studio SP Vila Madalena R. Inácio Pereira da Rocha, 170, 3032-4379. studiosp.org/vila_madalena
Desde: 2011.
Em cena: Filial da famosa casa na Augusta, o novo endereço busca experimentalismo, fazendo do lugar um laboratório das artes cênicas.

Sala Crisantempo R. Fidalga, 521, 3819-2287. salacrisantempo.com.br
Desde: 1992.
Em cena: O espaço recebe não apenas teatro e dança, mas também apresentações musicais e exposições de artes plásticas.

Escrito por Evelin Fomin e Alice Rangel
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