Time Out São Paulo

Barafonda na Barra Funda

Cia. São Jorge de Variedades usa tragédia grega para contar a história do bairro

Bob Sousa/Divulgação
Um retrato 'encenado' do bairro pelas ruas da Barra Funda

Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. A máxima de origem incerta faz todo o sentido para a Cia. São Jorge de Variedades, que acaba de estrear o espetáculo Barafonda, costurando um retrato sobre o bairro industrial da zona oeste, onde estão instalados desde 2007.  “Muitos vizinhos nem sabiam que a companhia tem sede aqui”, revela Patrícia Gifford, coordenadora do projeto.

Sentindo a urgência de participar um pouco mais da vida da cidade, há dois anos o grupo se debruçou a fundo sobre os movimentos da região, que já foi casa de ilustres como Mário de Andrade e Inezita Barroso, e que agora se verticaliza como nunca. “Muitas vezes, ficamos de escanteio, falando com as mesmas pessoas, fazendo teatro para quem sempre vai ao teatro.”

O formato estava, então, definido: o palco itinerante seria o trecho que compõe 1,7 km da região, entre a Praça Marechal Deodoro – bem embaixo do Elevado Presidente Costa e Silva, o Minhocão –, até a Praça Nicolau de Morais Barros. Entre os personagens, além dos 25 atores, pessoas comuns que tocam suas vidas por ali. Durante o trajeto, por exemplo, uma barbearia das imediações será ocupada – e o barbeiro, quem sabe, poderá até aparar o bigode de alguém.

Tomar as ruas não é exatamente uma novidade para a São Jorge: o gênero é alvo de pesquisa desde 2007, quando levou o Prêmio Shell de melhor figurino com sua primeira montagem no asfalto, O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado. Foi premiada novamente com o Shell em 2009, desta vez em uma categoria especial com Quem Não Sabe Mais Quem é, o Que é e Onde Está, Precisa se Mexer, também criada para o circuito a céu aberto.

A nova ‘peça-passeio’, com duração de 4 horas, sendo 20 minutos deles de parada na sede, mescla acontecimentos históricos às tragédias gregas Prometeu Acorrentado, de Ésquilo, e As Bacantes, de Eurípedes. A história é conduzida por um narrador a bordo de um charmoso triciclo – nada mais atual em uma cidade que cresce em cicloativismo. 

Barafonda tem início com Prometeu preso às vigas do Minhocão. Libertado, ele se encontrará com Dionísio, aqui representado também pelo fundador do primeiro cordão do carnaval paulistano (criado na Barra Funda), Dionísio Barbosa. Ao final, uma recepção calorosa do grupo com uma quermesse das antigas, regada a comes e bebes. 


Barafonda Pça. Marechal Deodoro, Barra Funda, 3824-9339. Sex., 15h (também dias 19/5, 2/6 e 16/6, 15h). Grátis. 240 min. Estreou em 4/5. Até 22/6.

Escrito por Evelin Fomin e Maria Eugênia Gonçalves
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