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Ficção

Cia. Hiato desenha uma linha tênue entre realidade e ficção em nova peça no Sesc Pompeia


Ouço a música ‘It’s all in the game’, de Keith Jarret, como inspiração para escrever sobre Ficção, o novo trabalho desenvolvido pela Cia. Hiato, sob o comando do virtuoso diretor Leonardo Moreira.

Tomando como ponto de partida a última obra do grupo, O Jardim – vencedor do Prêmio Shell 2012 em duas categorias (autor e cenário) –, Moreira avança em seu teatro documental e apresenta de forma mais radical ‘mocumentários’ (ficção em forma de documentário) individuais de cada ator.

Delicado e ao mesmo tempo marcante, assim como a melodia de Jarret, Jardim serve de base para o trabalho de pesquisa do grupo em Ficção, assim como esta será a base do espetáculo seguinte, Duas Ficções, ainda sem data de estreia.

Aqui, seis atores apresentam temas relevantes a cada um com monólogos que passeiam por trechos reais de suas vidas bem como ficcionais – uma brincadeira de faz de conta que intriga o espectador sobre os limites entre a realidade e a criação artística. Exercício, portanto, proposto pela pesquisa do grupo: a necessidade de ficção e a impossibilidade de abandoná-la; o hiato, afinal, entre a história ficcional dos personagens em busca de memórias que componham a história pessoal para a criação final da obra.

No palco, nomes próprios e integrantes da família

Desde o primeiro trabalho da Hiato, por exemplo, os atores assumem seus nomes próprios, estímulo inicial para a simulação de um estado de confissão, traço marcante no trabalho de Moreira. 

Em Ficção, eles assumem fragmentos de experiências do cotidiano e criam um jogo ainda mais arriscado: com eles, sobem no palco pessoas de seu convívio familiar.
É o caso da história (real?) que será narrada – e interpretada – por Thiago Amaral, que parte do desejo de reatar laços com seu pai, depois de quatro anos distantes. O próprio entra em cena. Uma partilha metalinguística profunda que coloca o ator-pessoa/pessoa-ator em seu papel máximo de vulnerabilidade diante da desconhecida plateia.

A transição de filha para mãe é o jogo proposto por Maria Amélia Farah, grávida na vida real na estreia de Jardim, em maio de 2011. Seu relato irá dividir com o público sua experiência como mãe, a herança cultural árabe e as tentativas de assassinar sua própria mãe (ficção?). Hora de trocar minha trilha sonora.

Escrito por Evelin Fomin
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