Um novo palco

A filial paulistana do mineiro CIT-Ecum não é apenas ‘mais um’ teatro. Explicamos os motivos 

Cristina Froment/ Divulgação
Cena da peça 'Dizer e Não Pedir Segredo', encenada no CIT-Ecum


Não era possível imaginar os desdobramentos do encontro entre o diretor e dramaturgo paulistano Ruy Cortez com o curador de artes cênicas mineiro Guilherme Marques na primavera de 2009 em Belo Horizonte. Eles se reuniam em uma das edições do CIT-Ecum, o Centro Internacional de Teatro Ecum, que nasceu e sobreviveu há 15 anos na cidade mineira, e que agora abre sua primeira (e única) sede na cidade de São Paulo, onde funcionava o Teatro Fábrica, na Rua da Consolação.

Em 1998, antes mesmo da criação do primeiro curso universitário de artes cênicas em Minas Gerais, Marques dava luz ao Encontro Mundial das Artes Cênicas (Ecum), um evento bienal de intercâmbio e reflexão cultural que se destacou pela diversidade e relevância, sobretudo ao trazer gente de peso como a francesa Ariane Mnouchkine, o italiano Eugenio Barba, o argentino Daniel Veronese, o japonês Tadashi Endo, só para citar alguns.

A transferência do projeto para São Paulo, viabilizado em primeira instância por Cortez (diretor e fundador da premiada Cia. da Memória), além de sonho realizado, revitalizou com uma bela reforma um espaço por muitos anos subutilizado. Nos dias de espetáculo (qua. a dom.), bancos de madeira são colocados na calçada para socialização e, especialmente, para os fumantes. Um aconchegante café no segundo piso, o Güli-Güli, abre duas horas antes do espetáculo para salgados (tortinha de bobó de camarão, R$ 8,50), doces e cafezinho (R$ 3,50). E se a falta de estacionamento fácil na região era um impedimento – apesar do metrô Pinheiros estar a 500 metros de distância) –, um convênio com o estabelecimento ao lado (R$ 15, preço único) resolveu o problema.

Mas a ocupação do Teatro Fábrica pelo Novo CIT-Ecum traz à cidade mais do que um espaço com novos aparelhos de ar condicionado. À frente da direção pedagógica, Cortez integra um time experiente e de peso no corpo de gestores do projeto que também contempla um programa com oficinas, workshops e pesquisa. Assinaturas como as de Antonio Araujo (Teatro da Vertigem) e Maria Thais (Cia. Teatro Balagan), como consultores artístico-pedagógicos, são mais do que promissoras. A programação começa em junho com debates sobre o tema ‘Os Teatros da América Latina’.

Inaugurada em fevereiro com a Trilogia Pirandello, com direção de Roberto Bacci e atuação de Cacá Carvalho, a ideia é manter as peças em cartaz entre quatro a sete semanas. Pouco para uma temporada na cidade; o suficiente para um espaço de apenas três salas teatrais de uma instituição que se pretende diversa.

“Este não será um espaço de uma companhia só, de um só gênero, de uma só escola teatral”, avisa Cortez. “Em uma São Paulo tão fascista, com territórios tão demarcados e teatros tão segmentados, nossa intenção é promover o encontro das diferenças.” Diferenças à parte, a qualidade da curadoria de Cortez é outra característica confiável da programação.

CIT-Ecum R. da Consolação, 1.623, Consolação, 3255-5922

  • Confira, a seguir, programação e leia mais sobre algumas das peças que entram em cartaz no CIT-Ecum.
  • 20/4 a 11/4 - Música para cortar os pulsos, da Cia. Empório de Teatro Sortido
  • 12/4 a 12/5 - Ficção, da Cia. Hiato
  • 17/4 a 9/5 - Comunicação a uma academia, do Club Noir 
  • 19/4 a 12/5 - Dueto para Um, de Mika lins
  • 3/5 a 26/5 - Átridas, da Cia. ph2: Estado de Teatro
  • 15/5 a 6/6 - O Porco, de Antonio Januzelli
  • 17/5 a 9/6 - www para freedom, de Ésio Magalhães
  • 11/6 a 4/7 - The Pillowman, de Bruno guida e Dagoberto Feliz

 

Escrito por Evelin Fomin
 

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