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Contexto

Como Nova York se tornou inimitável

Nova York City não é bem um lugar do qual ninguém nunca ouviu falar. Nunca acontece de você falar aos amigos ‘ Vou para New York de férias’ e eles te perguntarem, ‘Onde fica?’. A capital não-oficial dos EUA não é um mistério para os visitantes. Seus famosos restaurantes, célebres museus e rica variedade de eventos de teatro, ópera e esportes são de conhecimento geral.

Em termos de marketing, as marcas que identificam a cidade estão aqui, como Nike e Coca-Cola. As pessoas sabem o que a cidade é, e o que rola nela. Em fevereiro de 2005, a cidade adotou a frase ‘A segunda casa no mundo’ como novo slogan. Claro, choveram críticas querendo saber por que uma cidade de primeira qualidade deveria contentar-se em ser a ‘segunda’. Mas este não é, realmente, o ponto.

O que importa é que esta foi uma entre muitas tentativas não apenas de criar frases como marca registrada, mas também logos e símbolos. O objetivo é, além de reforçar o perfil de ícone que a cidade tem, lucrar com produtos e roupas que levem essas imagens, o que por sinal é uma estratégia bem nova-iorquina.

Até a agência de turismo oficial da cidade, NYC & Co, subiu no trio elétrico para mostrar a nova música-tema. New York: For the Time of Your Life – do compositor da Broadway Frank Wildhorn (de Jekyll & Hyde e The Scarlet Pimpernel) – soa como uma canção que poderia ter saído direto de um musical dos anos 1960: ‘It’s the Yankees and Knicks, the Rockettes doin’ kicks/You can sail Sheepshead Bay, see a show on Broadway’ (São os Yankees e os Nicks, as Rockettes dando chutes/Você pode navegar em Sheepshead Bay, ver um show na Broadway). Mas se existe um som que une todo mundo nesta cidade é o barulhinho do dinheiro.

Arquitetura

Sob os brilhantes esqueletos de aço e vidro de Nova York repousa o coração de uma cidade holandesa do século 17. Ela nasceu no parque Battery e no New York Harbor, um dos maiores portos naturais de águas profundas do mundo. A primeira casa de imposto alfandegário – Alexander Hamilton Custom House – hoje o National Museum of the American Indian, construída por Cass Gilbert em 1907, é um símbolo da importância do porto no crescimento de Manhattan. Antes de 1913, a principal fonte de receita era o imposto alfandegário. O edifício convexo, em mármore, é monumental com razão – as figuras esculpidas dos quatro continentes são de Daniel Chester French, escultor do Lincoln Memorial em Washington, DC.

A influência holandesa ainda pode ser vista no centro comercial, em sua teia de ruas estreitas, reminiscência das cidades européias medievais. Por causa da malha cartesiana dominante, a cidade foi abandonada pelo Commissioners’ Plan em 1811, restando poucos exemplos da herança arquitetônica holandesa. Um deles é o Dyckman Farmhouse Museum (4881 Broadway, 204th Street, dyckmanfarmhouse.org) em Inwood, no extremo norte de Manhattan. Seu telhado típico de quatro águas (gambrel roof) e seus tijolos decorativos refletem o estilo arquitetônico do final do século 18.

A casa mais antiga ainda de pé é a Pieter Claesen Wyckoff House Museum (5816 Clarendon Road, com Ralph Avenue, Flatbush, Brooklyn, wyckoffmuseum.org). Construída por volta de 1652, é uma típica casa de fazenda holandesa, com muros de pedra e calhas profundas. A casa Lefferts Homestead (Prospect Park, Flatbush Avenue, Prospect Heights, Brooklyn), construída entre 1777 e 1783, combina o telhado de quatro águas com varandas apoiadas em colunas, um estilo popular no período pós-independência.

Em Manhattan, o único edifício que sobrou dos tempos pré-revolucionários, anguloso e com colunas suntuosas, é o da St Paul’s Chapel, terminado em 1766 (foi adicionado um pináculo em 1796). A capela tem história. George Washington foi paroquiano aqui e foi recebido oficialmente como presidente logo após sua posse, em 1789. Os ideais iluministas, que fundamentaram a nova nação, estão presentes nesta capela democrática, cujo projeto vai contra hierarquias. A Trinity Church, de 1846, uma das primeiras e mais bonitas igrejas do Renascimento Gótico no país, foi projetada por Richard Upjohn. É difícil imaginar que a danificada Trinity, com pináculo de 85,65 metros de altura, tenha sido, durante décadas, a mais alta estrutura de Manhattan.

Monumentos resistem e cunham a história de cada época da arquitetura da cidade. Ótimo exemplo do Renascimento Grego da primeira metade do século 19 é o Federal Hall National Memorial, de 1842. A imponente coluna de mármore marca o lugar em que George Washington fez seu juramento. Em frente fica a estátua majestosa de Washington esculpida por John Quincy Adams Ward. As mais famosas quadras residenciais do Renascimento Grego, construídas nos anos 1830, são conhecidas simplesmente como Row (Washington Square North1-13, entre Fifth Avenue e Washington Square West); são modelo da metrópole mais requintada de Henry James e Edith Wharton.

A Renascença Grega deu lugar a uma arquitetura de inspiração renascentista nas Belas Artes, que refletia as ambições imperialistas de uma nação jovem e rica durante os anos dourados do século 19. Como o imperador Augustus, que se gabava de ter transformado Roma, uma cidade de tijolos, em uma cidade de mármore, a firma de McKim, Mead & White construiu monumentos cívicos nobres e palácios para os ricos. Os prédios mais conhecidos do clássico Charles Follen McKim incluem o campus principal da Columbia University, iniciado em 1890, e a austera Morgan Library, de 1906.

Seu sócio, o boa-vida da alta sociedade Stanford White (assassinado de forma chocante pelo marido de sua amante em 1906), projetou espaços para festas, como o Metropolitan Club (1 E 60th Street, com Fifth Avenue) e o luxuosíssimo Villard House, de 1882, atualmente o hotel New York Palace . Outro tesouro das Belas Artes é a suntuosa New York Public Library, em mármore branco, assinada por Carrère & Hastings. Construída em 1911 num antigo campo de batalha da guerra de independência, mais tarde o lugar abrigou um reservatório de água do Renascimento Egípcio e hoje é o Bryant Park. O Grand Central Terminal, forrado de travertino em 1913, continua sendo a elegante sala de espera da cidade graças aos preservacionistas (entre eles, Jacqueline Kennedy Onassis), que o salvaram dos tratores.

Escrito por Time Out Viagem editors
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