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Dos romanos ao ‘Raffarindum’, Paris já viu de tudo

Ao que tudo indica, os primeiros povos chegaram a Paris há cerca de 120 mil anos. Um deles perdeu uma lança de pedra em cima do morro que hoje chamamos de Montmatre. Essa arma perigosa está exposta na coleção da Idade da Pedra do Musée des Antiquités Nationales. Na Idade da Pedra, havia uma fábrica de armas onde hoje fica o Châtelet, e a reorganização de Bercy nos anos 1990 trouxe literalmente à tona dez canoas neolíticas, cinco delas guardadas no Musée Carnavalet. A oscilação do nível do rio provavelmente forçava as pessoas a se refugiar em uma das muitas colinas da região.

Por volta de 250 a.C., uma tribo celta conhecida como Parisii colocou esse lugar no mapa e deu o nome à moderna cidade. Os parisii eram navegadores comerciantes, ricos o suficiente para fabricar moedas de ouro. O Musée de la Monnaie tem uma grande coleção dessas pequenas regalias. Sua oppidum mais importante, uma cidade primitiva fortificada, ficava em uma ilha do Sena, que parece ter sido a atual Île de la Cité.


'Paris sera toujours Paris’

'Paris sera toujours Paris’, garantia Maurice Chevalier, enquanto Rick fazia de tudo para confortar Ilsa afirmando que ‘Paris sempre estaria lá’; e Oscar Wilde lembra que é para Paris que os americanos bons vão quando morrem. Nunca é demais falar da capital francesa, eterna, para sempre, ‘toujours’.

Não é nenhuma surpresa. Quando uma cidade foi tão filmada, fotografada, festejada, pintada, cantada, entoada, mencionada nos livros e nas conversas, sonhada, documentada, desejada? Seus museus e monumentos são citados mundo afora, seu estilo de vida – algo como almoços longos, vinho tinto, terraços de cafés, fumaça de cigarro, ligações perigosas – é emblemático. Paris? Ela sempre esteve por perto.

Mesmo assim, essa familiaridade suscita um desafio: enxergar os eternos clichês como são de fato – coisas legais, é verdade, mas menos do que dizem. Você deveria olhar Paris como quem lê um romance de mistério – desconfiado das dicas óbvias demais. Em outras palavras, olhe com outros olhos, com atenção. Mesmo à primeira visita, você já constrói uma forte imagem mental do lugar; tente apagá-la. Tente parar de pensar em Paris como um destino turístico. Se não conseguir ver a Sacré Coeur de perto nessa viagem, não se preocupe. Ela ainda estará lá da próxima vez.

Em vez disso, fique quietinho e olhe à sua volta. Deixe o mapa dentro da mochila e siga sua intuição. Fuja dos monumentos do centro e aventure-se nos bairros fora da cidade – isto é, as partes remotas do 13º arrondissement ou no agitado Beleville, na junção do 10º, 11º, 19º e 20º. Outro conselho: se tiver a oportunidade, mesmo remota e com um francês sofrível, fale com os parisienses. Na maioria das vezes, principalmente nas áreas de convivência dos bares e cafés, os moradores de Paris são muito mais simpáticos do que sugere sua reputação. Siga essa cartilha e levará para casa lembranças e conhecimentos únicos. A maioria dos escritores deste guia moraram em Paris durante anos, e todos vão dizer que todas as semanas, senão todos os dias, descobre-se algo diferente na cidade. ‘J’ai deux amours’, canta Josephine Baker, nascida em Missouri e moradora de Paris durante a maior parte da sua vida: ‘mon pays et Paris’. Dois amores – meu país e Paris. Não é preciso passar muito tempo nesta cidade para entender o que ela quer dizer.

Escrito por Time Out Viagem editors
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